Aquele momento em que você precisa arejar um pouco...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

PROPAGANDA PEDRO BÓ


Talvez a maioria de vocês não se lembre, mas havia um personagem num quadro do programa de Chico Anísio que se chamava Pedro Bó (veja aqui na Wikipedia).

É bastante possível que ele tenha se tornado redator publicitário e escrito o comercial do anti-séptico bucal da Oral B.

O filme começa com quatro homens de jaleco entrando por um corredor e o locutor diz:

"Os especialistas da Oral B recomendam...o novo antiséptico bucal da Oral B".

Imediatamente lembrei do Pantaleão, personagem do Chico Anísio respondendo:

"Não Pedro Bó, mandam comprar do concorrente."

Ora, se eles são especialistas (funcionários) da Oral B, iriam recomendar qual anti-séptico?

O Plax da Colgate? O Listerine da Johnson?

Será que sou muito chato ou ou esses redatores são muito...hmmm... Pedro Bó?



quinta-feira, 22 de novembro de 2007

ABAIXO AS CORPORAÇÕES


Dia desses, pela avenida Sumaré, vi pixada num ponto de ônibus a frase acima.

Imediatamente me lembrei daqueles muros no México em que se lia (ou ainda se lê, não sei) "abaixo os ricos".

Esse negócio de abaixo isso, abaixo aquilo é coisa de pobre. Se não financeiro, sim de espírito ou de intelecto.

Eu aposto que o garoto ou garota que fez seu protesto sujando a cidade (uma tremenda falta de cidadania e respeito ao próximo) estava usando um tênis de alguma gigantesca corporação, uma camiseta de uma enorme corporação, um jeans de uma universal corporação e, não esqueçamos, uma tinta spray de outra mega corporação.
O cara que protesta também as alimenta, não vive sem elas. Irônico, não?

Se mudar de ambiente e vir fazer seu protesto na internet, estará utilizando provavelmente um PC, máquina símbolo das corporações, produzido por diversas corporações, rodando com softwares de uma das maiores corporações do planeta.

E aí, macaco, vai protestar sobre o quê?!...

sábado, 3 de novembro de 2007

ESTAVA DEMORANDO...


Se uma pedra existe de fato, não importa se acreditamos se ela existe ou não - ela está ali e pronto. Eu a vejo, você a vê e dependendo de quem a pegar primeiro pode experimentar jogar na cabeça do outro provando sua existência.

Não sei quem é mais espertalhão, se o Dawkins aproveitando a onda anti-fundamentalista (ou terá sido ele o iniciador de tal processo?) ou se os McGrath tirando uma lasquinha de seu best seller.

Na verdade não importa se Deus existe mesmo ou não, mas sim ganhar uma grana vendendo livros polêmicos, não é mesmo?

Contraponto ao livro de Dawkins - "Deus um delírio", já está à venda "O Delírio de Dawkins", de Alister e Joana McGrath.

Tanto Dawkins quanto o casal são respeitados acadêmicos de Oxford. Ou eram, até antes de entrarem nessa discussão impressa.

Numa troca de e-mails sobre o assunto, meu grande amigo redator publicitário, Nobu, escreveu:

"Acho, no mínimo, curioso que todas as vezes em que falam do livro do Dawkins, ressaltam a virulência ou a agressividade dele. Talvez eu tenha feito uma leitura equivocada, mas o fato é que para as pessoas que crêem, qualquer refutação dessa fé é um choque e tende a ser encarado como algo hostil.

Será?

Quem é hostil? Dawkins ou um deus que pune ao invés de chamar num canto para uma conversa? Dawkins ou deus que joga dez pragas no Egito, ao invés de tirar o seu povo do sufoco numa boa?

Não quero que ninguém explique um deus para mim. Quero que explique e, principalmente, o justifique para aquele menino que foi arrastado pelas ruas do Rio. Para as crianças que morrem de fome no Sudão. Para as vítimas de abusos sexuais dos padres e financeiros dos pastores.

Qual era o seu propósito ao nos dar esse tipo de amostra de sua capacidade?

Para mim a grande questão é: se existe serve pra que? Se for pra ter isso tudo que está aí, então dispenso.

Prefiro achar que não existe do que ter de aturar um cara tão incompetente e mal resolvido na vida a ponto de mesmo tendo recebido a vida do próprio filho em sacrifício, ainda não se mexeu para salvar a humanidade.

O próprio Dawkins diz: chega de ser tolerante. Por que somos tão complacentes com a religião se durante toda a história ela foi sinônimo de opressão, repressão e castigo?

Acho que esse pessoal que faz oposição está na deles. Têm mais é que defender o seu ponto de vista. Afinal, não deve ser fácil descobrir que se está errado depois de investir tanto tempo inútil".

Em minha opinião, SE deus existe, está lá e pronto, independente de acreditarmos ou não assim como a pedra que citei no início do texto.

E, como a pedra, só faz algo mediante intervenção humana. Coisas como perseguições em nome d'Ele, jogar gente na fogueira, prender cientistas que dizem que a Terra não é o centro do Universo e outras amenidades...

Budistas têm uma estorinha a respeito desse assunto:

Buda estava reunido com seus discípulos certa manhã, quando um homem se aproximou:

- Existe Deus? - perguntou.
- Existe - respondeu Buda.

Depois do almoço, aproximou-se outro homem.
- Existe Deus? - quis saber.
- Não, não existe - disse Buda.

No final da tarde, um terceiro homem fez a mesma pergunta:
- Existe Deus?
- Você terá que decidir - respondeu Buda.

Assim que o homem foi embora, um discípulo comentou, revoltado:
- Mestre, que absurdo! Como o Senhor dá respostas diferentes para a mesma pergunta?

- Porque são pessoas diferentes e cada uma chegará às suas conclusões por seu próprio caminho. O primeiro acreditará em minha palavra. O segundo fará tudo para provar que eu estou errado. E o terceiro só acredita naquilo que é capaz de escolher por si mesmo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A SMALL VICTORY

Lê-se muito sobre web 2.0 num país que ainda luta pela inclusão digital.

Em pouquíssimas palavras e numa explicação bem tosca, web 2.0 é a internet - sites, blogs, comunidades, etc. - feitos ou alimentados pelos internautas para os internautas. É a internet colaborativa, democrática, cuja construção sai das mãos das empresas ou instituições e vai para a pessoa comum.

Alguns autores, importando teorias americanas e européias, já alertam para o fato de que a web 2.0 pode colocar em risco empresas que se utilizam de estratégias mais tradicionais de abordagem de seu público.

A explosão de blogs e comunidades virtuais aumenta consideravelmente a disputa pela atenção do internauta. Nesses lugares virtuais, prospects buscam e trocam opiniões das mais variadas, influenciando decisões de compra.

Há sim um universo razoável de consumidores online mas, podem me criticar, não agüento mais ouvir que "todo mundo tem internet". Que está disponível a todos, está, mas daí a dizer que todo mundo tem acesso é, no mínimo, estar completamente alienado à realidade brasileira. Mesmo para os que dizem que "quem interessa está na internet - leia-se possoas que têm dinheiro pra gastar - lembro das mais arrojadas teorias de C.K. Prahalad sobre "
A Riqueza na Base da Pirâmide".

Porém, restringindo-me à parte do mundo que "tem internet", digo que ela proporciona alguns pequenos milagres.

Dia desses participei de um processo seletivo em que pediam que descrevesse o que eu entendia sobre web 2.0. Escrevi um monte de bobagens teóricas e só depois me toquei que... EU FAÇO A WEB 2.0! Eu SOU a web 2.0!

Eu distribuo conteúdo, dou opiniões, influencio em micro-escala (que pode se desdobrar exponencialmente) e até crio produtos no mundo real! Sério.

Tentando manter minha sanidade enquanto curto um período sem trabalho remunerado, comecei a criar camisetas com frases sobre posse responsável de animais de estimação e outras com frases de figuras históricas sobre vegetarianismo. Meu intuito não era ganhar dinheiro com isso. Meu objetivo era apenas divulgar, trabalhando pela conscientização sobre coisas em que acredito. Se essas camisetas fossem usadas nas ruas, seriam outdoors ambulantes divulgando tais idéias.
Por isso, distribuí os layouts em arquivos eletrônicos internet afora, 100% free para quem quisesse imprimi-las.

Aparentemente, ninguém havia dado a mínima...

Dia desses recebi um e-mail de uma ONG - Associação Mato-grossense Voz Animal- AVA, sediada em Cuiabá-MT (
www.avamt.org.) dizendo que receberam, sabe-se lá por quem ou como, meus arquivos, e que "... fizemos camisetas com o tema de seu desenho, "animal não é brinquedo..." e ficaram lindas, uma empresa de medicamentos patrocinou (Discon) primeiramente 100 camisetas, e estamos vendendo a 15 reais. O valor arrecadado será usado para a manutenção do abrigo e outros projetos para a castração de cães e gatos.Queremos - eu e toda a diretoria, enviar-lhe uma camiseta como agradecimento e para o seu acervo".

Não é o máximo!?
Não imagino como isso seria possível sem a internet.

Em tempos de "... Gostaríamos de agradecer seu interesse em participar do nosso processo seletivo. Neste momento não poderemos prosseguir com sua participação..." ou semelhantes um atrás do outro, é uma autêntica
Small Victory, como cantava Mike Patton do Faith No More nos anos 90:

"... A invalidez da derrota
Você pode se dar ao luxo?
Um vencedor ferido
Mas eu manterei minha boca fechada
Isso não deveria me incomodar
Não
Isso não deveria
Não, não
Isso não deveria me incomodar
Não
Isso não deveria

Mas incomoda."