Aquele momento em que você precisa arejar um pouco...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007


Além de ter descoberto muito cedo que Papai Noel não existia (até que não fiquei tão traumatizado...), agora meu amigo blogueiro Roberto Bech me mostra que não foi a Coca-Cola que inventou a atual imagem do velhinho natalino.

Vou me jogar de cima de uma árvore de natal!
Daquelas bem pequenas...

Nesse site aqui você pode conferir mais uma versão sobre o imbróglio.

Eu sempre fui matador de ilusões, mas precisei de um alerta do Não Seja Medíocre dessa vez.

Bem, eu tinha de falhar uma vez, né?!

Mas, convenhamos: não fossem os milhões de dólares da Coca martelando essa imagem em nossas cabeças décadas a fio, teríamos esse mesmo velho gorducho de roupas vermelhas tão presente nos finais de ano?

Hmmmm...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

NEVE, RENAS E O CALOR INFERNAL

O Natal é época de presentes, de comemorar o fim de ano, de começar a planejar as promessas de ano novo, de descolar um trabalho temporário, de viajar e de diversos significados religiosos, dependendo de sua crença.

É a época marcada pelas imagens de renas, pelos pinheiros cobertos de neve e Papai Noel com suas botas pretas e roupa vermelha. Êpa!

Mesmo que você já tenha viajado ao Pantanal matogrossense ou à Amazônia, duvido que já tenha visto renas. No máximo, avistou veados. Pinheiros cobertos de neve, só se tiver dado muita sorte no sul do país ou em Campos do Jordão. Ainda assim, se tiver levantado bem cedo, pois com o Sol da manhã já não sobraria mais nada.

Mas imaginem um senhor vários quilos acima de seu peso, com pesadas botas cano ¾, roupão vermelho, luvas, gorro, sob a temperatura média de Dezembro no Brasil... Coitado!

Não pretendo discutir "nossas tradições" muito profundamente, mas seria interessante se alguma empresa ou grupo delas se unissem a uma agência de publicidade e criassem a "nossa" imagem do natal. Criar mesmo, porque não sei da existência de algo com cara tupiniquim aceito por grande parte da população e explorado comercialmente.

As imagens utilizadas nessa época são frutos dos milhões de dólares investidos pela Coca-Cola em décadas.

Lá, nos "estêites" e na Europa, existe mesmo neve, renas e deve haver grande número de senhores que se assemelham ao bom e velho Noel. Por aqui, acredito que ele não poderia ser tão alto, nem tão branco com bochechas rosadas, nem ter as barbas tão brancas. Seria mais baixo, mais moreno, usaria talvez as legítimas Havaianas, óculos escuros, calção, camiseta regata, boné.

O trenó... Sugerir uma carroça puxada por jegues poderia gerar sentimentos negativos. Melhor pensar em outra coisa.

Não sou hipernacionalista, mas é fato que não temos a "nossa" imagem do Natal.

Com tanta gente bonita e talentosa, com uma enorme variedade de espécies animais, com esse Sol maravilhoso, praias paradisíacas, coqueiros, veleiros, dunas, ainda aceitamos como naturais as imagens norte-americanas e européias.

Não se trata de um "abaixo Santa Claus" nem orgulho sul-americano, mas de aceitar a nossa realidade e deixar de lado aquele sentimento tão arraigado de que o de fora é sempre melhor, levantar o nosso moral e dizer: Yes! Nós temos Natal!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

DIVINA PROPINA


Existem muitas definições de propina e suborno. A despeito de todas elas, resumo da seguinte maneira: tentar impedir, através de meios escusos, o curso natural das coisas de modo que não atinja resultado negativo a si próprio.

Explico usando a cena mais batida do mundo: o policial que pára você na estrada por excesso de velocidade. O curso natural das coisas é você receber uma bela multa (talvez até apreensão do carro), mas você tentará “sair do curso natural” com uma conversinha mole ou oferecendo propina ao guarda.

Outra: você precisa urgentemente de um certo documento numa repartição pública. O curso natural das coisas é o tal documento demorar muito, mas muito mais do que o razoável para chegar às suas mãos e você perder o seu prazo. Não aceitando isso, oferece uma graninha ao funcionário para que apresse a papelada em meio à oceânica burocracia.

E quem nunca ouviu falar dos comerciantes que sempre pagam uma caixinha aos fiscais da prefeitura ou do famoso “jabá” pago às rádios para tocarem determinadas músicas? Todas essas – e muitas outras – são formas de propinas, de suborno, de corrupção.

Ampliando o contexto, fazer aviãozinho pro bebê comer logo o "papá" também é uma forma de subornar o pequeno inocente. De outra maneira (seguindo o curso natural das coisas) ele não comeria aquele pote nem a pau...

Mas vejamos sob outra ótica: você ou alguém querido seu está numa certa situação (doente, endividado, desempregado, sei lá) e, novamente, a seguir o curso natural das coisas o desenrolar pode ser bem negativo. E o que você faz?

Reza, ora.

Seguindo o ponto de vista acima apresentado, você está tentando subornar Deus!

Sim, é isso mesmo: rezar é a mais estratosférica tentativa de suborno da mais alta autoridade conhecida.

É delicado, é uma provocação, mas é lógico. Apesar de ser um hábito profundamente arraigado em (quase) todos nós (assim como a corrupção), rezar é uma tentativa de fazer com que a mais alta autoridade do universo quebre as regras por Ele mesmo criadas e dê um jeitinho nas coisas pra você.

Toda vez que você pede a deus que faça isso ou aquilo você está tentando obter ajuda para mudar o destino. Um desviozinho, nada demais. É corrupção!

Pior: muita gente faz e paga promessas quando (ou se) obtém resultado favorável. Dupla corrupção!

E depois ficam falando mal do pobre do Renan Calheiros...