Aquele momento em que você precisa arejar um pouco...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Como de costume, logo cedo estava com minhas cachorrinhas na praça para o primeiro passeio do dia. Um Sol morno aquecia o ar frio enquanto elas cheiravam a grama procurando “o lugar certo”.



Então meu celular tocou. Era um rapaz da De Paschoal tentando falar comigo, mas a ligação estava ruim e ele disse que desligaria e retornaria em seguida. Logo pensei “que saco, lá vem malho pra comprar algum produto ou serviço”.


Tocou novamente e, confesso, pensei em não atender. Mas como não estava fazendo nada importante que não pudesse ser interrompido e pelo esforço dele em ligar novamente, atendi.


Ele veio com um papo esquisito de que um fulano qualquer havia ligado para ele dizendo que encontrara minha carteira e deixara o telefone para que eu entrasse em contato para resgatá-la.


Muito estranho. Porque alguém ligaria para uma loja avisando sobre minha carteira? Lembrei dos diversos golpes que ainda rolam pelo celular ou então alguma nova pegadinha, sei lá. Via das dúvidas, antes de desligar fui até o carro olhar onde normalmente deixo a carteira e assustei: ela não estava lá. Deveria estar, sempre estava, mas não desta vez.

Pedi então que passasse o telefone do tal que a encontrara e liguei em seguida. E não é que o cara estava mesmo com ela?! Era um motoboy que, no caminho para o trabalho, viu uma carteira no meio de uma rua nas imediações de onde moro.


Parou, pegou, olhou os documentos, o cartão do banco, o cartão de soltar o carrinho de supermercado na garagem, o talão de cheques, a carteirinha do plano de saúde, um jogo da Mega Sena que ia correr naquela noite e, entre mais algumas inutilidades, um cartão da tal loja onde um dia eu havia trocado os pneus do carro. Ligou então para a loja. O atendente procurou no sistema pelo CPF, encontrou o meu telefone e então entrou em contato comigo.


Pedi o endereço de onde ele estava. Ele passou e disse que parecia estar tudo “nos conformes” com minha carteira. Tinha até um dólar. Eu disse que era meu dólar da sorte, que guardava há mais de vinte anos. Ele riu dizendo que então eu devia guardá-lo para sempre pois havia sido esse dólar o responsável por te-la encontrado.


Botei as cachorrinhas no carro e voei para lá, ansioso. No caminho, repassando mentalmente os poucos minutos atrás, logo descobri como havia perdido a carteira: havia deixado-a no teto do carro, livrando as mãos para poder colocar as cachorrinhas para dentro. Saí rumo à praça, dei a volta no quarteirão e fui em frente despreocupado, com ela ali em cima sentindo a brisa da manhã de outono...


Como tinha uns trabalhos para fazer na rua, o motoboy disse que iria deixar a carteira num envelope com a secretária. Nem pôde esperar para receber ao menos um agradecimento. Não vi seu rosto.

Mas lá estava o envelope, na gaveta da mesa de uma sorridente secretária de num escritório de vendas de máquinas de café espresso. Ao lado do escritório essa empresa mantém um charmoso café, onde eu havia parado algumas vezes para saciar o melhor dos meus vícios.
Mundo pequeno, pensei. E nem tão ruim assim.