Aquele momento em que você precisa arejar um pouco...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

MONTANDO UM PEQUENO NEGÓCIO


Um colega meu perdeu o emprego recentemente e, precavido, já colocou em andamento seu plano B: vai montar um pequeno negócio, home office.

Mas nessa hora é difícil pensar em tudo, em todos os pequenos detalhes que fazem a diferença. Foi então que resolvi escrever algumas dicas pra ele. Talvez sejam redundantes, tendo em vista as centenas de milhares de páginas na web que tratam do mesmo assunto, mas vou reproduzi-las aqui:

- abra uma conta separada de e-mail (e uma pasta) só para receber mensagens de assuntos profissionais, preferencialmente com o nome curto (estratégia, estratégia...) de seu negócio. Melhor ainda: instale um programa de receber e-mails diferente do particular. Eu uso Outlook para o pessoal e Thunderbird (ótimo e de graça) para o profisisonal;

- se possível, instale o Skype (grátis) em seu PC/note. O pessoal gostou da ideia de não pagar telefone. Talvez tenha de comprar microfone se for PC de mesa, mas é baratinho;

- tb, se possível, tenha uma linha de telefone celular diferente para os contatos profissionais ou, pra economizar, tenha toques bem diferentes para contatos pessoais/familiares/profissionais. Eu já me atrapalhei tendo de atender cliente quando estava em Campos do Jordão, almoçando e tomando o terceiro chopp, imagina...;

- pense no foco de seu negócio e comece a montar um mailing list de possíveis clientes para, posteriormente, fazer uma campanha de e-mail marketing, mais em conta do que mandar imprimir folhetos. Mais em conta, no caso, é “de grátis” se tiver a manha;

- se pensar num site, compute: registro de domínio (seu endereço na web) + hospedagem de site. Não são caros, poderíamos dizer que "é um investimento", mas sai do bolso;

- se quiser economizar ainda mais, monte inicialmente um blog (é de graça). O Blogger e o Wordpress são os mais fáceis de usar. Meus blogs estão no Blogger. Contras: não tem grande maleabilidade de construção (ou seu colega aqui é que não teve paciência para aprender a mexer direito) e blog não tem tanto respeito/seriedade quanto um site com domínio registrado;

- é possível anunciar seus serviço de graça na web: Primeiramão, TodaOferta, Quebarato, SOSClassificados, RuaDireita... ... Retorno? Pequeno, mas de pequeno em pequeno...

- se for montar um home office, existem milhares de dicas na web, mas posso adiantar algumas:

1-se for cliente de TV por assinatura, provavelmente eles te ofereceram um plano e número de telefone extra. Utilize para seu escritório;

2-vc vai precisar de cartão de visitas (faça em gráfica, esqueça os picotados) e, se for enviar propostas a clientes, seria bom ter papel carta “timbrado” (isso não existe mais...), ou seja, com o nome/logotipo de sua empresa. Mas isso dá pra fazer um a um na impressora de casa, imprimindo com qualidade alta ou máxima. A primeira impressão é a que fica, como diz o velho deitado;

3-entre nas tais redes sociais e refaça seu perfil, agora como autônomo, e procure se filiar ou acompanhar grupos afins;

4-japoneses dão preferência a japoneses, judeus dão preferência a judeus, maçons dão preferência a maçons... Já vi por aí e sei que funciona: use em seu site/blog/perfil alguma frase ou algo que remeta a um grupo ao qual pertença: religioso, acadêmico, desportivo, filosófico... Não confunda isso com “se aproveitar”; é apenas mais uma estratégia de marketing numa maneira de tentar obter retorno de um público-alvo específico.

Se eu lembrar de mais, escrevo em breve.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

CONTRA A DEPRESSÃO? PAUSA PRUM CAFÉ!

Fui uma criança muito, mas muito imaginativa, criativa e sonhadora. De uns anos pra cá fiquei meio cético, meio racional demais, mas não consigo deixar de imaginar o tamanho da coincidência depois que li um artigo dizendo que o café, nosso santo cafezinho, pode ter efeito preventivo /profilático contra a depressão.

Os tais estudos chegaram à conclusão de que "a incidência de distimia e de depressão é menor entre adultos e crianças que
tomam 4 xícaras de café por dia em comparação aos que não tomam ou tomam menos que isso".

Segundo o artigo, "o consumo diário de 4 xícaras de café pode ajudar a prevenir a depressão e o suicídio, segundo estudos efetuados em mais de 200.000 pessoas por um período de dez anos por dois grandes centros de pesquisa nos Estados Unidos (Califórnia e Boston), dados estes obtidos pela equipe do autor a partir dos anos 80 entre jovens escolares brasileiros. O fato do café puro ou com leite na dose de 3 a 4 xícaras diárias ser um agente PREVENTIVO da depressão bem como a possibilidade de um fitoterápico de café ser um agente CURATIVO para a depressão coloca o consumo de café e seus subprodutos como prioridade para a ciência médica que visa combater o mal do século, a depressão".

Qual é a coincidência? Eu sou tão fanático por café que meu primeiro blog recebeu como título uma homenagem a ele. Já
meu outro blog, adivinhe...
Um blog voltado à depressão, outro nem tanto ao café, mas tendo-o como tema e título. Estranhas coincidências do destino ou, como diz Leonard Mlodinow em O Andar do Bêbado, apenas nossa humana e confusa mente tentando encontrar significado em coisas não relacionadas?

Pelo sim, pelo não, vou lá agora preparar mais um cafezinho...


Os tais estudos:
- KLATSKY, A.L. et al. "Coffee, Tea, and Mortality," ANN. EPIDEMIOL., 1993 (3), pp. 375-381.

- KAWACHI,I. et.al. "A prospective study of coffee drinking and suicide in women," ARCH. INTERN. MED., 1996 , 11 (156), pp 521-525.

- LIMA, D.R. : CAFÉ, DEPRESSÃO e ALCOOLISMO. - 1a parte . Jornal da ABIC, VIII, 97, 26, 1999

- LIMA,D.R. CAFÉ, DEPRESSÃO e ALCOOLISMO - 2a parte . Jornal da ABIC, VIII, 98, 24 , 1999

- LIMA, D. R. CUIDADO!!! O POPULAR CAFÉ E A PODEROSA MULHER... PODEM FAZER BEM À SAÚDE. Petrópolis: Medikka Ed. Científica, 2001. 111 p.

- LIMA, D. R. MANUAL DE FARMACOLOGIA CLÍNICA, TERAPÊUTICA E TOXICOLOGIA. Rio de Janeiro: Medsi Ed. Científica, 2003. 3 Volumes, 3.456 p.

- FLORES, G., ANDRADE, F. & LIMA D.R.: Can coffee help fighting the drug problem: preliminary results of the Brazilian Youth Drug Study (BYDS). ACTA PHARMACOLOGICA SINICA, Shangai, 2000, 21 (12): pp. 1059-1070.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ECOLOGIA, GAIA E A HUMANIDADE

No Estadão de domingo passado li um artigo que fez cair uma ficha.

O cientista inglês James Lovelock, autor da Teoria de Gaia, aquela que diz que a Terra é um organismo vivo e se comporta como tal, deu um outro ponto de vista para aquela urgência, onipresente na mídia global, em salvar o planeta: não é a Terra que está em perigo e precisa ser salva, mas sim a humanidade.

O planeta continuará a existir mesmo que o maltratemos ainda por muito tempo, mas talvez ele fique inabitável para nós, meros e mortais humanos.
Isso inverte toda a lógica das campanhas para salvar o planeta. Ou, no mínimo, acrescenta um enorme "senão...".

Mas ele termina a entrevista dizendo uma frase com a qual não concordei.



Ao ser perguntado sobre que conselho Gaia, a deusa Terra, daria aos homens, disse que seria algo como “Cuidem de si mesmos e sobrevivam. Vocês são meu organismo mais importante.


OK, ele é cientista e eu sou apenas um mané escrevendo sobre o que não entendo completamente, mas dizer que somos o mais importante órgão do planeta é forçado até para o mais crente dos crentes da nova era.


A Terra - e o Universo todo - não precisa de nós. Absolutamente. Para nada.


Ceifar a humanidade da face da Terra seria um alívio para ela, pois somos a única espécie que estraga tudo o que vê pela frente e ainda não sabemos como sobreviver sem destruir, como fazem todos os outros animais. Nosso sumiço seria, talvez, como cortar uma unha ou cabelo comprido que estivesse incomodando: não dói, pelo contrário, alivia.


Um cientista respeitado como ele deveria tomar mais cuidado com a visão antropocêntrica do Universo. Não somos o centro de tudo nem a medida de todas as coisas, muito pelo contrário.


Acredito mais em Iggy Pop e em Talking Heads: somos apenas os passageiros e estamos em uma viagem para lugar nenhum.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

DECISÕES

A sabedoria popular diz que ano começando com bastante chuva é sinal de abundância. Verdadeiro se pensarmos num Brasil de 100 ou mais anos atrás, país eminentemente agrícola com grande parte da população ligada à atividade primária. Mas as coisas mudaram.

Ainda somos uma nação exportadora de commodities do campo mas nossa população, além de migrar para os centros urbanos e adotar as atividades secundárias e terciárias como meio de sustento, aumentou consideravelmente e passou a ocupar desordenadamente o solo.

Em vista das tragédias do início deste ano, muito óbvio é culpar a chuva. Alguns culpam a Natureza, como se ela estivesse se vingando do Homem, outros apelam à Teoria do Caos, culpam isso e aquilo... Nada como encontrar um bode expiatório nessas horas.

A real responsabilidade, ou falta dela, é das decisões do Homem. Algumas decisões erradas, equivocadas, desinformadas e até de má fé resultaram em mortes pela simples ignorância das condições de solo, matéria sobre a qual o Brasil não é deficiente em tecnologia e informação.
Bastava alguém verdadeiramente se preocupar com isso e, baseado nesse conhecimento, tomar decisões corretas, mesmo que impopulares, trabalhosas e custosas.

Então, que 2010 seja um ano de decisões sensatas, pensadas, ponderadas, bem informadas e que assumamos nossa responsabilidade por elas, lembrando sempre que talvez não possamos controlar todos os eventos resultantes de milhares de variáveis imponderáveis, mas que isso não nos isenta da responsabilidade de decidir qual passo dar hoje.