sábado, 27 de outubro de 2007

O PODER DA GATA


Eu sou um dos que vive usando, para os mais variados fins, o fato do Brasil estar 30 anos atrasado em relação aos países desenvolvidos em assuntos diversos.

Minha mão à palmatória: atrasado uma década, só agora descobri Cat Power.

Não, não é mais uma bebida energética...

Cat Power é, segundo matéria que encontrei (e já comprovei em áudio), "...Cantora, pianista e nas horas vagas poeta, a americana Chan Marshall é uma das mais gratas surpresas da década passada. Famosa por suas canções angustiantes, calcadas no folk (Dylan, Lou Reed, Moby Grape são suas grandes influências) e com uma voz dilacerante, Chan tem muita história para contar..." e "...passa por cima de Rolling Stones ("I Can't No - Satisfaction"), Velvet Underground ("I Found The Reason"), Bob Dylan ("Paths Of Victory") em versões maravilhosas".

Na Last.fm você pode ouvir algumas faixas "na faixa".

Trouxe-me várias lembranças de um tempo que parecia esquecido (acho que alguém já disse isso antes...).



Vale a pena.

Virei fã.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

OTIMISMO

Navegando pela internet entre uma tarefa doméstica e outra, li que cientistas descobriram áreas do cérebro responsáveis por regular o otimismo.

Segundo o artigo, “...Os cientistas descobriram que quando os indivíduos imaginam ocorrências positivas em sua carreira profissional, por exemplo, aumentam as atividades na amídala e no córtex cingulado anterior do cérebro”.

Hmmm... Eu devo ter batido a cabeça e estragado esse trecho de neurônios.

Como ser otimista quando profissionais de RH estão se encontrando num congresso sobre Grafologia?

Como ser otimista...

...enquanto Britney Spears continua a ser notícia?
...enquanto horóscopos continuam ocupando as home page dos maiores portais?
...durante um leilão de mechas de cabelo de Che Guevara, com lance mínimo de US$100 mil?
...com tanto a ver, ler e aprender, o sucesso na Internet é a canção “Vai Tomar no C...”?
...com a preparação de mais um BBB pela Globo?
...enquanto um que não estudou vira presidente e eu com MBA fico desempregado?

Lendo o Estadão de hoje vi que a taxa de desemprego caiu ainda mais. Os “extras de Natal” são parcialmente responsáveis por esse índice, mas ainda são 2,09 milhões de desocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País.

Hmmm... Sempre achei que seria legal pertencer a uma minoria. Devia ter pensado melhor. Ainda estou junto aos “...
so many man, so many man no one needs...” como canta Peter Gabriel. Mas, como no título, eu tento “Don’t give up”!

Pelo menos um alívio:
Purple Rain eleita a melhor trilha sonora de cinema pela revista Vanity Fair.

YES!

sábado, 20 de outubro de 2007

TRIGÊMEOS?

Numa época em que as empresas lutam por um melhor posicionamento (veja as teorias de Porter) e vantagem competitiva sustentável, tentando desesperadamente diferenciar-se da enorme concorrência e, desse modo, navegar pelo oceano azul, o que faz ou pode ter acontecido às montadoras de veículos que, ao contrário, produzem carros cada vez mais iguais?

Não são gêmeos idênticos, mas...


Vectra GT, Nissan Tiida e Peugeot 307...






Ou será que eu estou vendo coisas?

FALTOU SENSE NA SIMPLICITY

Se você fosse um publicitário, qual idéia ou imagem surgiria de pronto em sua cabeça se os profissionais de marketing de uma empresa de eletrônicos lhe dissessem que o tema central da nova campanha seria “sense and simplicity”?

Eu imaginaria algo na linha do “back to basics”, um movimento iniciado há anos (meio sem força, é verdade) que, em se tratando de eletrônicos, prima pela descomplicação total, facilidade de uso, aparelhos mais simples, de uso intuitivo, poucos botões ou talvez nenhum, como iPod e iPhone bem exemplificam.

Poderia ser um comercial suave, fluído, minimalista, quase Zen...

Seja lá qual foi sua idéia, para mim foi um choque, total dissonância cognitiva entre o que eu imaginava para o conceito e o que a
Philips colocou no ar.

De autoria difícil de contestar (Nizan Guanaes – África e companhia) o comercial, em minha opinião demasiadamente espalhafatoso, complexo, complicado traz a trioelétriquenta Ivete Sangalo cantando que a gente vai ter “...mais tempo pra viver, mais tempo pra sonhar...”.

Em meio a show de luzes, sons, cortes e recortes, surge um rapper cantando uma outra parte da música. Depois, corta, recorta, mix de imagens e luzes, volta pra Ivete trioeletricando no palco de um estádio de futebol.

“...Você sonhou e a gente fez... mais simples pra você...”. Talvez os aparelhos da Philips entreguem esse valor, mas não é a mensagem que o comercial passa. Ao menos pra mim.

Megalômano demais para algo sense & simplicity.

Se era pra simplificar, por que não simplificar o comercial também?
Bom, talvez um comercial muito simples (e barato) não “valesse a pena” para sustentar a África inteira...


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

VELHO SEMPRE NOVO

Quando a Célia escreveu que seu pupilo “...ridicularizou diversos conjuntos como Talking Heads, Supertramp, The Doors e até os Beatles” lembrei que em algum momento de nossa pré-adolescêcia e adolescência adentro todos nós talvez tenhamos desdenhado de algum ídolo de nossos pais, tios e até avós.

Você não? Esprema sua memória e provavelmente se lembrará de um episódio semelhante...

Porém, é engraçado como, passado algum tempo, a gente comece a resgatar ídolos esquecidos no passado, meio que fazendo uma releitura de suas peças. Talvez isso seja apenas uma permissão que a maturidade nos dá para, somente então, entender o que o artista tentava transmitir com sua obra.

Recentemente passei por uma fase Hendrix – o cara, o som, as letras são muito, muito atuais. Coisa de gênio mesmo. Um clássico, jamais passageiro. Quantos dos artistas e bandas atuais serão lembrados daqui 20, 30 anos?...

De uns meses pra cá estou revisitando Tom Waits.

Meu primeiro contato com ele foi através da inesquecível
Downtown Train, em meados dos anos 80. Mas eu era muito jovem e sua música me pareceu triste, sombria. Deixei pra lá.

Foi então que, mais de 20 anos depois, procurando a mesma música para baixar pro meu iPod que reencontrei todo o universo de Waits.

Hold On , um som mais “fácil”, possivelmente a faixa “de trabalho” do disco, talvez não nos dê uma idéia desse universo de bares esfumaçados, bêbados em fim de noite, clubes de jazz, circos mambembes, ópera dos excluídos...

Poesia sonora, como em
Waltzing Matilda ou You Can Never Hold Back Spring, na abertura de “La Tigre e la Neve”, com Roberto Benigni, recém-lançado em DVD.

Velho? Poesia tem idade? Pearl Jam fez uma cover de
Picture In A Frame ano passado em Milão.

Nada do que eu escreva pode descrever melhor o artista e sua obra como as matérias
Tom Waits: o otimismo de um cínico ou A Metafísica de Botequim de Tom Waits, em que Martim Vasques da Cunha diz que Waits é “... um sujeito que nos leva a refletir sobre que raios estamos fazendo aqui, neste mundo repleto de imbecilidades e desgraça...”.

Questionador, anarquista, ir contra a mesmice...Velho?

Waits jamais fez “mais do mesmo” como muitos dos artistas atuais.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

VALE MENTIR PARA MOTIVAR?

Motivação é mais uma daquelas palavras/expressões que, de tempos em tempos, entram no vocabulário do mundo corporativo e grudam como chiclete.
Apesar de alguns autores já começarem a rever alguns conceitos sobre a motivação dizendo que isso é algo interior e pessoal de cada um e não assimilado do exterior, a necessidade de obter vantagem competitiva sustentável frente à concorrência fez com que a antiga área de RH se transformasse na Gestão Estratégica de Pessoas (UAU!).


Este tipo de gestão, como uma fonte de vantagem competitiva, faz com que os clientes sintam-se satisfeitos com o serviço, o capital humano desenvolva-se profissionalmente e a imagem da empresa seja altamente favorável ao mercado, no sentido de prestar um serviço de qualidade aos seus consumidores.
Bonito, mas nem todos chegaram ainda nesse nível. Muitas empresas ainda contratam palestrantes que, entre outras pérolas motivacionais, apresentam a já velha estória (pra boi dormir) da "Renovação da Águia".


Quando, há vários anos (e põe vários nisso), li pela primeira vez essa estória, era apenas um texto que circulava pelos e-mails internet afora. Logo descobri tratar-se de puro invencionismo e, a contragosto de muitos de meus colegas, escancarei a farsa.


Meus esforços em prol da honestidade têm sido em vão. O que era apenas texto virou apresentação de Powerpoint. Mais um tempo, tornou-se vídeo...


Meu problema com essa estorieta não tem nada a ver com o seu teor motivacional nem com a mensagem que tenta passar. O vídeo que assisti há pouco até que é emocionante, com um locutor que parece o Cid Moreira recitando o Pai Nosso, mas para obter adesão* do funcionário ao programa motivacional da empresa é preciso que ele acredite, que não se sinta passado pra trás nem enganado, sob pena de jamais obter a confiança desse profissional após ele descobrir que lhe contaram uma mentira.


Seus divulgadores, que deveriam apresentá-la como fábula, como metáfora, o fazem como "um exemplo tirado da natureza", até com um tom científico, como num documentário da National Geographic.
Mentem.


Essa coisa de águia arrancar unhas e bico aos quarenta anos, de uma vez por todas, NÃO EXISTE!!!


*em breve farei um texto sobre a expressão "adesão" (o programa não teve boa adesão; a Gerência não aderiu à proposta...), outra mania se espalhando pelo "vocaburrário" corporativo.

Vai encarar?

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

VELHO X NOVO ?

Confesso que ando um pouco desatualizada, mas estou sempre aberta às novidades. Tenho até um MP4, apesar de quase não usar. Procuro estar antenada, mas não fico muito ansiosa a este respeito.

Trabalho com uma equipe jovem, jovem mesmo. São quatro assistentes e a “mais velha” tem 22 anos! Bom, o negócio é o seguinte: o que me incomoda é quando sinto que há discriminação ao que é considerado “velho”. Músicas velhas, filmes velhos, livros velhos... Ah! Espera aí! Temos algumas produções que são marcos, referências para qualquer um que queira se aprofundar um pouco a respeito destes temas!


Outro dia virei bicho. Fiquei injuriada quando um dos meus pupilos ridicularizou diversos conjuntos como Talking Heads, Supertramp, The Doors e até os Beatles! Isso, pra mim, é heresia. Qualquer um que curta música (e não tenha ficado só na superfície do assunto) sabe o quanto essas bandas são importantes até hoje.

Ok, ok. Sei que, de uns dez anos para cá ando meio “por fora” (outra expressão velha), já que pouca coisa em termos musicais despertou o meu interesse.

Mas gosto de alguns conjuntos da atualidade como Kings of Convenience, CAKE, Coldplay, Norah Jones, Madeleine Pierrot,...
Ou será que isso já é considerado antigo também?
Aliás, porque não podemos aceitar e conviver com tudo isso? Quem disse que o antigo tem que “dar lugar” ao novo? Às vezes acho que há um preconceito generalizado contra o que é considerado velho. Que visão estreita e, desculpem o trocadilho, ultrapassada.

Eu, por exemplo, tenho 40 “bem vividos” anos. Mas, essa neurose de parecer jovem, ser moderno, conhecer o novo, acaba afetando a gente. A patrulha do “tem que estar bem”, “tem que se manter em forma”, “tem que estar bem informado”, cansa.

A gente tem é que ser feliz. Aceitando as pessoas como são, sem determinar o que é bom ou ruim, o que é “in” ou “out”, o que é moderno ou antiquado. Além disso, a mais avançada tecnologia não nos leva automaticamente ao novo...

E, acima de tudo, digo e repito: felicidade é atemporal.


Célia, direto de Floripa.


O CICLO DAS NOSSAS VIDAS

Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring) é um filme belíssimo, realizado por Kim Ki-Duk em 2004.

Um filme de rara e sublime beleza e, seguindo a tradição dos contos budistas, com uma história que nos convida a uma profunda reflexão sobre a influência dos ciclos da vida, metaforicamente representados na cadência das estações do ano e no seu ciclo de nascimento, crescimento, envelhecimento, morte... e nascimento.

Talvez não seja um filme dos mais palatáveis para os viciados no sabor róliudiano, repleto de personagens caricatos, mocinhos e bandidos, tiros, perseguições e explosões.
Mas vale a pena.
Tem em qualquer boa locadora (duvido que tenha na Blockbuster...).

Faz tempo que vi e está na hora de rever.
Aqui você pode ver o trailer, ouvir a trilha e ter uma idéia do que se trata:

domingo, 7 de outubro de 2007

CLIENTE VIP - very "insignificant" person

Esse "artigo" eu já publiquei em outras paragens, mas acho que está no "espírito" do PpC e continua muito, infelizmente muito atual:




Dia desses estava eu num shopping da cidade sem nada pra fazer enquanto aguardava minhas duas “filhas” tomarem seu banho semanal na PetShop quando decidi reforçar o armário de roupas para trabalhar. Estava mesmo precisando, havia mais de dois anos que não comprava uma camisa social e as que usava no dia a dia....Entrei numa loja de roupas masculinas, fiz a compra e – tchan! – recebi um cartão de Cliente VIP. Estranhei um pouco, pois era a primeiríssima vez que entrava lá, mas ser VIP é bom, dá aquela sensação de que você é bacana, será tratado de maneira diferenciada e então resolvi curtir a sensação. Era um belo cartão dourado metálico, imitando cartões de crédito, bem layoutado.

Mas logo a moça do caixa começou a desfazer aquele momento mágico. Pediu que olhasse o verso do cartão e lá estavam espaços para preencher com “selinhos”, que eu ganharia a cada nova compra de determinado valor. Ao juntar 05 selinhos no cartão eu teria direito a um bônus em mercadorias da loja.

Ao prestar mais atenção, percebi que em letras miúdas estava escrito que a “promoção” era válida por um ano a partir da primeira compra. Ou seja, se eu não gastasse mais dinheiro naquela loja no período não teria direito ao tal bônus. Ok, continuaria VIP, mas aquela sensação estava indo pelo ralo.

E foi, de vez, quando percebi um número de controle no cartão: 77.854!!!!!!!!

Ora! Ser VIP é ser exclusivo, diferenciado, único. Não dá pra se sentir VIP quando se está no mesmo balaio de gatos junto de toda a torcida do Corinthians e Palmeiras. Mesmo que esse número represente dez ou cinco por cento de sua clientela (totalmente improvável), ainda assim 77 mil é muita gente.

No fim das contas, ser VIP era ter de gastar mais num curto período de tempo.

É mais um exemplo, infelizmente entre tantos outros, de má aplicação e utilização de conceitos de marketing. Promoção de vendas é uma coisa; eleger seu cliente VIP é outra.


Fica aí a dica: ao fazer alguma promoção, não disfarce, não tente enganar seu cliente com cartões dourados. Seja claro e honesto.






Com certeza o retorno será bem melhor.





quarta-feira, 3 de outubro de 2007

VIVER MAIS SIMPLES: COISA DE MOLEQUE

Quem, na faixa acima dos 30, não tem saudades do tempo do barquinho de papel, do periscópio feito na garagem com restos de materiais diversos, de construir uma casa na árvore...

Muitos já escreveram sobre isso, há diversos textos circulando pela internet relembrando a infância pré-vídeogames, mas alguém capitalizou a coisa e transformou em livro:

O LIVRO PERIGOSO PARA GAROTOS, segundo release da editora, é uma "...mistura de almanaque, enciclopédia e manual de sobrevivência para meninos... A obra é uma homenagem às longas tardes de verão de sua juventude, contendo informações vitais para pais e filhos, e homens de todas as idades. Quantos outros livros podem ensinar a construir sua própria casa na árvore, jogar pôquer ou escrever com tinta invisível?

O LIVRO PERIGOSO PARA GAROTOS, de Conn e Hal Iggulden, resgata brincadeiras antigas, truques, jogos, revela curiosidades sobre o sistema solar, batalhas famosas e histórias de personagens que são exemplos de coragem e bravura".
Ainda não li, mas folheei e imediatamente lembrei de meus desaparecidos Manual do Escoteiro, Manual do Mickey, Manual do Professor Pardal...

“Coisas de garoto, portanto”, diz Hal, diretor de teatro de 35 anos. Ele não teme ser saudosista e aconselha os meninos a largar o computador e explorar o mundo lá fora. “O maior perigo do mundo é a ignorância.”

No link abaixo, uma entrevista do autor cedida à revista Época: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG79197-6014-488,00.html

terça-feira, 2 de outubro de 2007

TENTAÇÃO...


E então lá estava ela, como se me olhasse, desafiadora, bem à minha frente.

Como se diz na gíria atualmente, tinha "um belo shape". Tentação.

Pensei que, bem, já estávamos ali, restaurante meio vazio, quase ninguém ao redor, nenhum conhecido. Afinal, "umazinha" só não faria mal. Ao final de um dia de trabalho, cansado, estressado, seria bom relaxar...
Ninguém ficaria sabendo.

Mas então lembrei dos votos que fiz, da promessa. Pensei nas conseqüências, pensei que estaria abrindo um precedente, me desviando do caminho.

Minha consciência esperneou. Então desviei o olhar, concentrei-me em outras coisas, resolvi abandoná-la ali mesmo onde estava.

Não é fácil ser vegetariano novato diante de uma coxinha aperitivo em sua mesa.

UMA NOVA IDADE DAS TREVAS NOS ESPREITA

Um dos papos que mais rendia em nossas pausas prum café era quando entrava na pauta a questão da religião.

Sobre esse assunto, Nobu, nosso grande publicitário ateu-agnóstico louco por acreditar em algo e desejoso de que alguém apresente argumento para tal, uma epopéia frustrada, continua vigilante.

Dia desses mandou e-mail recomendando o recente livro de Richard Dawkins. Escreveu:

"Quanto ao criador do universo, li recentemente o “Deus, um Delírio”, do meu ídalo Richard Dawkins. Para meu espanto, está entre os mais vendidos. Agora, não sei se os crentes andam comprando para tacar fogo. O mais provável é o que o autor defende: há muito mais ateus por aí, mas que ficam enrustidos para não criar constrangimentos e alimentar discriminações. Sei que sou suspeito, mas o livro é excepcional. Alguns exemplos que ele usa, eu mesmo cansei de citar. Antes desse, eu fiz questão de ler “Deus, um Itinerário”, de Regis Debray, que não é uma leitura atéia, mas explica as razões do monoteísmo ter suplantado o politeísmo (como o indianismo, por exemplo) e as condições em que isso ocorreu. Também muito interessante."

E continua:

"O perigo está à espreita. A última novidade é a proposta de incluir o ensino de religião nas escolas municipais, de São Paulo. Um absurdo, mas que a maioria acha natural.

Não quero ser insistente, mas leia o livro do Dawkins e, provavelmente, muitas das suas idéias a respeito de religião vão se confirmar. Foi essa a impressão que tive. Há um capítulo em que ele até insinua que muitos religiosos continuam professando sua fé por medo de perder todo o seu referencial de vida, embora, no fundo, saibam que ela é inútil. Eu tenho certeza que esses caras que estudam teologia, que fazem seminário para ser padre ou viram monges, acabam descobrindo que deus não existe porque se estudar profundamente é a única conclusão a que se pode chegar. Mas, para não desestruturar toda a sua razão de ser, eles continuam fingindo que não. Recentemente, foi divulgado que a Tereza de Calcutá (por quem, aliás, não nutria muita simpatia) tinha sérios questionamentos e sentia fortes dúvidas quanto à sua fé. É óbvio, se alguém passar um único dia vendo a miséria e a desgraça com que ela conviveu por anos e anos e continuar achando que deus existe numa boa, precisa ser muito raso de raciocínio.

Abraços cristãos,

Nobu,,".


O tema é polêmico.

O que me dá medo é a deturpação. Religião virou um grande e milionário negócio, business mesmo, no sentido mais americano-capitalista da palavra. E agora caminham rumo ao poder político.

E isso, a História nos mostra em diversas passagens, como nas Cruzadas ou a caça às bruxas, é o caminho para perseguições, fanatismo, exclusão e guerras.

No passado morriam na fogueira aqueles que, contrariando a fé dominante, diziam que a Terra era redonda.



Se embrenhando no poder, qual será a punição, num futuro dominado por religiões baseadas no lucro, para os que discordarem deles?...





quinta-feira, 27 de setembro de 2007

SIGNIFICADOS E SIGNIFICANTES

De algum modo, parece que sempre tive uma "queda" pela cultura oriental, japonesa, chinesa, hindu... Isso não tem nada de orientalismo barato ou tendência new ager, mas algo que foi construído desde minha infância, arraigado em meus mais profundos valores.

Eu gostava dos desenhos animados japoneses (Super Dínamo, Guzula, Sawamu, Speed Racer...), dos heróis espaciais (National Kid, Ultra Man, Ultra Seven - não gostava do Espectroman).

Mais tarde, passei a apreciar o jeito de ser de Kwai Chang Caine na série Kung Fu e virei fã incondicional de Bruce Lee.

Curti demais filmes recentes como "O Tigre e o Dragão", "Herói", "O Clã das Adagas Voadoras" e até "O Último Samurai".

Há um "quê" de interiorização, de respeito ao próximo - mesmo que esse seja um oponente - e visão, em relação à ocidental, totalmente diferente da vida e do Universo.

Mas há um ponto em que a visão ocidental não pode ser descartada: Brahma, para os hindus, é o criador do Universo, um ser supremo com quatro cabeças.

Com todo respeito, prefiro a nossa visão sobre Brahma, mesmo com apenas três cabeças...



VIVER MAIS SIMPLES

Alexandre, meu filho de 6 anos de idade, passou uns dias com a família do meu irmão, numa cidade de interior. Para um menino urbano, que está acostumado a ficar dentro do apartamento, assistindo televisão ou jogando videogames, foi inesquecível.

Céu azul num lugar rodeado por montanhas, com chão de terra vermelha, riachos, vacas, cavalos e galinhas. A turminha composta por 3 crianças: Além do meu filho, Juliana, minha afilhada de 10 anos e Gabriel, meu sobrinho de 14.

Apenas dez casinhas - quase de pau a pique - num grande terreno delimitado por uma cerca de madeira. Liberdade para enfiarem o pé no barro, rolarem na grama, explorarem lugares desconhecidos e chegarem em casa só no fim da tarde, imundos e felizes. Sem neuroses, sem medos, sem preocupações.

Quando meu desbravador retornou, estava todo arranhado, porém vitorioso. Voltou mais criativo, alegre e cheio de auto-estima. Realmente, a gente não precisa de muito para ser feliz. Nada como uma vida simples, descomplicada. Existe coisa melhor e mais saudável??


Célia, jornalista, direto de Florianópolis

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

SÍNDROME DO E-MAIL

A gente encontra muito para ler na rede mundial de computadores sobre os novos males causados pelos hábitos resultantes do uso intensivo da tecnologia no dia-a-dia.

Começam fisicamente com a LER (lesão por esforço repetitivo) causada pelo bendito teclado, passam por problemas de coluna, dores nos ombros e pescoço por mal posicionamento diante do monitor, que também castiga nossos olhos e vão nossa mente adentro, causando transtornos de atenção por ler e responder e-mails a todo momento, obsessão por navegar em busca de informação, isolamento em relação ao mundo real e a famosa síndrome do e-mail.

Sobre essa última, senti seus efeitos ontem.

Os servidores de correio eletrônico sofreram uma pane geral e ficamos o dia todo sem mandar nem receber mensagens. As que estavam nos servidores para envio e recebimento foram perdidas (por isso, se alguém mandou algo ontem, por favor mande novamente).

Imagine ficar um dia todo sem criar um novo texto sobre um tema qualquer, uma nova frase-do-dia ou enviar e receber aquela velha piada já super-rodada ou uma notícia especialmente pinçada entre as milhões disponíveis para iniciar um debate entre amigos em outros departamentos, em outras empresas, em outros Estados e países!

Mesmo suando frio e trêmulo, me controlei, respirei fundo e passei o dia todo... ...TRABALHANDO!!

Inacreditável o que a simples falta de um recurso tecnológico nos obriga a fazer.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A TEORIA, A PRÁTICA E OS DINOSSAUROS



Tenho lido muitos artigos sobre administração, alguns sobre novas técnicas e estilos, outros sobre velhas teorias ainda colocadas em prática. O mais recente colocava a última moda em cheque: o jeitão duro e seco de "Arte da Guerra" do japonês Sun Tzu estaria sendo substituído pelo modo quase budista tibetano de ser, mais amável, colaborativo, equilibrado.

Não sei se as novas teorias substituem modelos já desgastados ou são resultado da observação das práticas em empresas inovadoras e posteriormente teorizadas. Porém, tudo isso parece utopia para um grupo de amigos e para mim também.

Num país em que a imensa maioria das empresas ainda são "familiares", administradas e comandadas por seus donos-fundadores ou descendentes diretos (tb li num artigo), a probabilidade de nos empregarmos numa dessas é grande e foi o que aconteceu aos tais amigos e a mim.

Pelo que relatam esses amigos e pelas experiências que tenho vivenciado, nessas empresas ainda impera o estilo "Senhor de Engenho", no qual o dono-senhorio-proprietário-presidente tem direito de vida e morte sobre todos que adentram o "seu" prédio. Falam o que bem entendem sem absolutamente nenhum superego para frear a língua, criticam duramente funcionários em pleno corredor na frente de todos, despedem e trocam Diretores e alta gerência como trocam de cuecas e vivem reclamando da falta de bons colaboradores e de resultados.

Talvez por estarem imunes às variáveis de empregabilidade, por não precisarem se atualizar para manter o emprego nem ter de se comportar de maneira minimamente civilizada, pois dentro de seu microcosmo tudo podem, esses homens são autênticos dinossauros-rex, pura força bruta e dentes afiados pilotando seus negócios em pleno século XXI.

Há os que tentam minimizar a questão levando em consideração o fato de terem erguido à unha seus impérios, pequenos ou grandes, suportando toda a sorte de reveses pelo caminho e isso os teria moldado dessa maneira. Porém, e isso não há como negar, nessas empresas é possível sentir no ar a tensão, o estresse e, pior, a má educação generalizada no tratamento interno entre os funcionários que copiam o estilo do chefe, que copia o estilo do dono.

Nessas empresas é comum também e possivelmente resultado dessa "formação" de seus donos na escola da vida o foco estar pura e exclusivamente na venda, com todo o restante sendo considerado desperdício. Desse modo, treinamentos internos, ações de marketing e atualização dos sistemas de informática são quase sempre "...bobagens, bobagens! Só pensam em gastar dinheiro! Parece que só eu aqui penso em ganhar algum! No meu tempo a gente saía pra rua e vendia, não tinha nada disso...".

Uma frase jamais esquecerei: conversando com o vice-presidente numa breve pausa durante uma reunião, ele disse que "...o marketing é a validação de preguiça do vendedor. Vendedor que é bom sai e vende, não precisa dessas frescuras".

Como essas empresas passam do meio século de existência e estão em plena forma - ou já tiveram dias melhores mas ainda têm fôlego pra muitas décadas - é extremamente difícil confrontar esses senhores. Mesmo com toda a diplomacia e argumentos estudados, diretores que tentaram são hoje ex-diretores, estão "disponíveis no mercado" ou prestando algum tipo de consultoria.

O alívio é que esses senhores feudais não viverão para sempre, mas o pesadelo recomeça quando um de seus filhos assume seu lugar, pois geralmente é escolhido aquele que mais próximo do pai era, aquele que "aprendeu tudo direitinho, como foi comigo naqueles tempos".

E pensar que Bill Gates, o homem mais rico do mundo, deixou a liderança de seu império (e que império!) por acreditar não estar mais colaborando à altura. Somente uma estrela dessa grandeza poderia se dar ao luxo de tamanha humildade.

Oxalá um dia nossos modernos senhores de engenho percebam que no mundo tupiniquim com todos os seus problemas - a corrupção, os impostos, o custo-Brasil - eles também são agentes do atraso.