segunda-feira, 23 de agosto de 2010

EU PREFIRO BICHO

No Estadão de ontem foi publicada uma matéria com o título "Meu bicho, minha vida" e, novamente para NÃO variar, o tom foi jocoso.

Os repórteres ou os editores teimam em buscar, para essas matérias, pessoas com um certo grau de excentricidade na relação com seus pets, a despeito da longíssima e talvez infindável discussão sobre o que é e o que não é ser "normal" seja em que tipo de relação for.

Jornais, revistas e a mídia eletrônica às vezes sutilmente, às vezes nem um pouco, forçam a barra ao apresentar o dono de algum animal de estimação como um tipo de maluco, desequilibrado ou alguém que sofre de profunda solidão.

Mas qual é o limite para uma pessoa ser "normal"? Qual é a régua que mede a normalidade?

Para não variar em nada mesmo, chamaram um indefectível psicólogo que, novidade, alertou para os perigos de se ultrapassarem limites nesse tipo de relação. Segundo o tal profissional das entranhas da mente humana "...o sinal vermelho aparece quando o bicho substitui o desejo, a vontade e a necessidade da pessoa se relacionar com humanos".

Mais: ele observa que o animal não é como uma pessoa (nooossaaa, é mesmo?...) que discorda, discute, tem opiniões diferentes e que isso seria importante ao nosso desenvolvimento "enquanto gente" (esse final é meu).

Gostaria de perguntar a ele se isso é ruim apenas quando a pessoa não se dá conta desse mergulho no mundo animal ou se é ruim também (pior talvez) se a pessoa decide conscientemente, pensadamente que é melhor mesmo se relacionar com animais JUSTAMENTE pelos motivos que ele citou, porém menos brandamente: pessoas nos entendem mal, xingam, magoam, traem.

Isso nos molda? Isso nos faz evoluir? Concordo, se você ainda não tem pelos no corpo.

Depois de certa idade, uma companhia amorosa, carinhosa, sempre de bom humor, que jamais vai interpertá-lo mal ou pensar mal de você e que nunca o magoará ou o abandonará é tudo que alguém pode querer.

Humanos?! Bah, humanos...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

HÁBITOS, TRADIÇÕES E COSTUMES

E então Sakineh Mohammadi Ashtiani será mesmo apedrejada, por decisão da Corte Suprema do Irã.

Note que não foi um júri popular que decidiu isso, não foi um bando de ignorantes ensandecidos em praça pública movidos pela emoção do momento. Foi uma decisão fria e racional tomada por homens cultos.

A despeito da cortina de fumaça lançada, acusando-a agora também de assassinato para desviar a atenção e minimizar as críticas internacionais, o fato é que uma mulher será morta de maneira grotesca não por acidente nem por descontrole emocional num momento de loucura, mas por argumentos baseados na tradição, hábitos e costumes de um grupo de pessoas, de um país.

Talvez até pior que a morte é o praticado no leste africano, como a excisão e a infibulação, que nem vou descrever aqui, motivadas e justificadas por crenças e hábitos de fé.

Vou levar a discussão para esse ponto: até que onde o argumento da tradição e costumes pode justificar algo?

Essa é uma seara difícil, eticamente complicada por questões culturais, sociais, temporais e diversas outras que nem sei.

Mas é o mesmíssimo argumento utilizado por aqueles que, ainda, utilizam animais para se divertir ou se fartar à mesa.

Vejamos:

- apesar de minguando, as touradas ainda existem na Espanha apenas porque um grupo a defende com argumentos de tradição e cultura;

- idiotas gaúchos (e de outros Estados também) usam o mesmo argumento para defender a Farra do Boi, ainda presente apesar de estar na mira da Justiça;

- a caça esportiva, ou a morte desnecessária de um animal para distrair babacas entediados com suas vidas medíocres e necessitando de auto-afirmação, ainda é praticada em diversos países;

- muita gente ainda diz que come carne porque é hábito...

Não adianta tentar fugir ou jogar também uma cortina de fumaça argumentando que estou misturando humanos e animais. Não subestime a SUA própria inteligência dessa maneira...

Animais, assim como nós, sentem dor, sofrem, sangram. Todos sabem disso, mas usam o “por que é hábito” para se justificar num churrasco. Não existe argumento mais frouxo.

Um ditado Zen Budista diz que “antes de tentar mudar o mundo, dê três voltas ao redor de sua casa”.

Do mesmo modo, antes de criticar o apedrejamento da iraniana, olhe para o seu prato.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

VOYERISMO

Usando meu tempo da forma mais medíocre possível na internet, acabei por ler uma crítica ao programa Busão da Band comparando-o, como um “primo pobre” e malfeito , com o BBB da Globo.

O texto centrava farpas no que parecia ser o mote do programa: a nudez de seus participantes.

Mas péralá: quem assiste ao BBB está à procura de quê? Ensinamentos para a vida pessoal ou profissional? Arroubos filosóficos? Profundas reflexões existenciais?

Deixemos de ser hipócritas. Quem assiste ao BBB está pura e simplesmente dando vazão ao seu voyerismo, também está em busca de nudez e torcendo para que o lençol escape e deixe ver algo que o casal esta fazendo, a despeito dos argumentos racionais contrários que utilize para negar isso inclusive a si mesmo.

O que a Band fez foi economizar no verniz, ou melhor, em produção (e disfarces) e ir direto aos “finalmentes”, algo que talvez a Globo tenha receio de fazer para não receber as mesmas críticas e então fica enfeitando o pavão, dourando a pílula mas, no fundo, gostaria de fazer a mesma coisa.

Afinal, o que esperar dos participantes? Pelo pouco que vi em chamadas eles não me parecem ser escolhidos por sua profundidade cultural nem intelectual.

O que o pessoal quer é bunda mesmo, mas tem receio de admitir.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

A INTELIGÊNCIA DOS CÃES. SÓ A DELES...


É risível, é cômico e chego a achar ridículas as tentativas de se estabelecer o quanto um animal é ou não inteligente.

Os esforços são enormes, os estudos são detalhados, cientistas e profissionais diversos investem dezenas, centenas, milhares de horas nessas questões (será que não o fazem apenas pelo orçamento $$$ obtido para pesquisa? Hmmmm...) e as divulgam como achados científicos.

O problema de se estabelecer a inteligência de um cão, por exemplo, como no artigo “Quantas Palavras os Cães Entendem” (http://casa.hsw.uol.com.br/caes-e-palavras.htm) é o viés antropocêntrico, ou seja, a “régua” que mede tal inteligência é baseada no ser humano.

Usam-se padrões humanos para medir inteligência de cães, golfinhos, macacos. Ora, eu digo que isso é “somar maçã com banana”, como se dizia antigamente.

Porque não usar parâmetros caninos para medir a inteligência de seres humanos? Parâmetros como olfato, visão, audição, instinto de sobrevivência, lealdade, amizade, amor incondicional, geolocalização (sem usar GPS), honestidade, pureza, humor...

Sob padrões caninos possivelmente seríamos os seres mais estúpidos do planeta. A pergunta que deveria ser feita não é quantas palavras os cães entendem, mas sim quantos LATIDOS nós entendemos. Ora, não somos nós tão inteligentes?

Cães se comunicam com outros cães, gatos se comunicam com outros gatos e todos os animais se comunicam entre si com uma variedade enorme de sons E NÓS NÃO ENTENDEMOS PRATICAMENTE NENHUM DELES!

Golfinhos até tentam se comunicar conosco, mas nós achamos que eles estão apenas sendo engraçadinhos...

E não apenas com sons os animais se expressam. Um posicionamento de orelhas, um arquear do corpo, um esticar de pescoço dizem de forma absolutamente efetiva e sem engano o que querem, o que pretendem, ao contrário das palavras que muitas vezes nos enganam, nos confundem, nos levam ao erro.

Um detalhe: irracionais como são chamados, os animais são perfeitamente adaptados a viver no planeta sem destruí-lo, sem deformá-lo, sem poluí-lo, coisas que nós humanos, inteligentíssimos, não conseguimos ainda, mesmo depois de tanta evolução.

Mas a empáfia antropocêntrica e imensa ignorância humana nos impede de ver isso.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

MAIS POR MAIS

No mundo dos negócios, nos livros de administração e marketing, nos diversos cursos de especialização a gente aprende um pouco de estratégia de negócios e em nosso dia-a-dia podemos perceber, se conhecermos um pouco do assunto, as estratégias adotadas por uma empresa para sua linha de produtos ou serviços.

Se você conversar por aí, perguntar a opinião das pessoas em geral, certamente irá chegar à conclusão de que o que importa mesmo é o preço, que é ele que determina, na enorme maioria das vezes, o sucesso ou fracasso de uma empreitada comercial.

Em se tratando de estratégia, então adotaria o “mais por menos”, ou seja, entregar a melhor qualidade/quantidade pelo menor preço possível.

Parece lógico, mas não é, pois é isso que a maioria faz e se destacar quando se está no mesmo saco de gatos que é a maioria é muito mais difícil. E, infelizmente nesse caso, milagre não existe. Para cada patamar de qualidade há um custo. Optando por guerrear na zona do menor preço, a realidade nos mostra que nem com mágica conseguirá oferecer alta qualidade.

Não é o que faz, aparentemente, os laboratórios Fleury.

Conto o motivo dessa minha opinião: recentemente tive de fazer uma ressonância de coluna lombar. Fui muito bem atendido na unidade em que estive e como era cedo, quase madrugada ainda, tomei um lanchinho “de grátis” em sua lanchonete. Tudo transcorreu normalmente e minha primeira surpresa aconteceu na saída. A pessoa que me orientava disse que assim que estivesse pronto o resultado do exame seria disponibilizado na internet, mas como havia imagens, um portador iria entregá-lo em minha residência.

Havia achado isso o máximo, até que o resultado chegou em casa. Aí fiquei mais impressionado ainda.

As “chapas” da ressonância chegaram num envelope de papel pardo aparentemente reciclado, que estava dentro de uma sacola também de papel reciclado (sugerida pela frase impressa “O Fleury se preocupa com a saúde do planeta”), embalada cuidadosamente num plástico para que não sofresse danos. Ao abrir tudo isso, mais uma surpresa: um CD com meu nome gravado. Corri colocar no computador, pois acreditava que eram as imagens de minha ressonância. Era mais que isso: um software da GE mostrava o exame como se fosse em tempo real, uma animação, um “filme” com movimento, muito possivelmente, imagino eu, as mesmas imagens em movimento que o médico vê quando realiza o exame, com opção de pausar, adiantar, voltar.

O Fleury cobra mais caro que os outros laboratórios? Sim, cobra. Se for pagar de seu próprio bolso notará a diferença imediatamente. Se for através de plano de saúde, terá de pagar mensalidade de planos “top”, de custo elevado, pois só esses oferecem serviços no Fleury.

Como este laboratório consegue cobrar mais em meio a tanta concorrência e ainda assim estar sempre lotado?

Excelência nos serviços prestados, excelência no “pós-venda”. Mas essa excelência tem de ser notada, sentida pelo cliente e não apenas propalada em textos, cartazes e anúncios.

No Fleury, ao menos nessa experiência que tive, “superar as expectativas do cliente” não é apenas uma frase numa apresentação de Powerpoint nem numa placa no hall de entrada. É realidade visível, palpável, concreta como o CD em minha escrivaninha.

sábado, 10 de julho de 2010

A LOGOMARCA DA COPA 2014


Em uma palavra: lamentável.



Os senhores que aprovaram essa aberração devem estar caducos. E pagaram uma grana preta ao estúdio francês Richard A. Buchel.


Essa logo já foi comparada a Chico Xavier psicografando uma carta (eu não havia pensado nisso), mas eu vejo alguns outros senões.


Se a idéia foi mostrar três mãos segurando uma taça, gostaria de saber qual o motivo disso. A taça a gente segura mesmo com as mãos, mas porque enfatizar mãos num esporte jogado com os pés?


Essa logomarca é mais adequada a um campeonato de vôlei.


O verde o amarelo eu entendi, mas a data, colocada em vermelho (porque vermelho?...) e escrita em tipologia alienígena, toda torta para se encaixar no vão entre mãos me lembrou os desenhos mais toscos que eu fazia quando era garoto.


Nem que voltasse no tempo e esquecesse tudo o que vi e o pouco que aprendi em termos de design – equilíbrio de formas, de cores, significados, subjetividade, funcionalidade, estilo, formas e mensagens – faria algo tão... Tão... Tão pobre.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

MMDC

Você talvez esteja se perguntando que raios de feriado é esse do 9 de Julho.
Tenta lembrar de algum santo, de uma passagem nas fábulas cristãs e nada.


Não, não é o dia de um rapper famoso, nem da reformulação do Run DMC nem uma banda concorrente do KLB.


Bem, não é uma homenagem à avenida em São Paulo...


Pô, não lembra de seus tempos de escola?


Nove de Julho é uma lembrança do M.M.D.C., acrônimo pelo qual se tornou conhecido o levante revolucionário paulista, em virtude das iniciais dos nomes dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, mortos pelas tropas federais num confronto ocorrido em 23 de maio de 1932, que antecedeu e originou a Revolução Constitucionalista de 1932.


Eu acho que o acrônimo deveria ser M.E.D.A., pois os primeiros nomes deles eram Mário, Euclides, o conhecido Dráuzio e o Antônio. Porque sobrenomes de uns e nome do outro?


Aliás, um outro estudante, o Orlando de Oliveira Alvarenga, morreu somente três meses depois e, por isso, ficou fora da sigla. Então lembre: se for lutar por uma causa, morra logo de cara para não ser esquecido no futuro.


E mais: se for lutar por algo, lute pela coisa certa tentando visualizar o futuro. Esses caras, os MMDC e também o A que citei no parágrafo anterior, podem ser os culpados pela existência do Congresso Nacional! Se não fossem eles aquele antro não existiria, nem a Assembléia Legislativa nem as Câmaras.


Detalhe: a História nos conta da poética morte destes “estudantes”, mas um deles tinha 31 anos e era fazendeiro em Sertãozinho; outro tinha 30 e era comerciante. Eles ainda estavam na escola com essa idade? E o Dráuzio, então, que tinha apenas 14 anos, o que estava fazendo altas horas da noite na rua, em meio a um levante revolucionário no qual, desconfio, muito provavelmente diversos manifestantes moviam-se impulsionados por cerveja e outros combustíveis com teor alcoólico mais elevado para invadir a sede do PPP – Partido Popular Paulista?


A história, no Brasil, é talvez a coisa mais injustamente negligenciada e propositalmente distorcida que temos.


Junte você também um bando à noite e tente invadir algum edifício do Governo.


Vais ficar famoso...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

DUNGA E A LIDERANÇA

Como sou um marciano em se tratando de futebol, sempre estranho os comentários durante um jogo: o técnico e os jogadores são os mesmos nos 90 minutos, mas se o time está ganhando todos os comentaristas tecem os mais variados elogios. É só o jogo virar e todo mundo começa a malhar. Esquecem que os que estão ali em campo são os mesmos que há pouco recebiam elogios.


Aliás, um parêntese: na Copa em que Ronaldo “o fenômeno” jogou fiquei tentando enxergar onde estava o fenômeno e não vi nenhum. Nesta agora juro que tentei enxergar “o talento” de Robinho e “o talento” de Kaká, mas também não consegui. Acho que devo parar de assistir às Copas, pois quando assisto os talentos e fenômenos não conseguem se manifestar. Será que o problema é comigo?


Começo a desconfiar que todos os fenômenos e talentos são apenas a necessidade humana de ter heróis ou, em outras palavras, apenas propaganda enganosa... E, claro, sempre há uma boa desculpa para sua não-manifestação: um estava se recuperando de cirurgia, outro não estava 100%, outro isso, outro aquilo. Se é vero, então pq não os deixam em casa? Não é irresponsabilidade levar um enfermo a campo?


Mas a alternância de elogios e críticas não acontece apenas com radialistas: procure na internet (rápido, antes que apaguem) e encontrará diversos artigos com elogios inflamados à “liderança nata” de Dunga e as lições que este técnico nos deixou em planejamento, comprometimento, coerência, atitude, paixão e emoção... E olha que alguns destes artigos foram escritos por “mestre em Administração pela USP”, só pra citar um exemplo. Chegaram a elogiar sua “paciência e simplicidade”, quem diria.


Veja dois parágrafos retirados de artigo na VOCÊ S/A: “Numa batalha travada no palco decorado com as cores e humores do adversário, cercada de polêmicas preliminares e rivalidade histórica, o futebol pentacampeão mostrou insuperável solidez, inesperada inteligência e implacável eficácia. Uma equipe com a inconfundível marca do seu líder”. “Sem dúvida uma história inspiradora para muitos de nós que acabaram de chegar a uma posição de liderança e enfrentam, ainda, a desconfiança de um ambiente altamente competitivo”.

Ou seja: se saísse dessa vencedor, Dunga viraria livro de administração, seria tema de aulas em MBAs, utilizado como exemplo por gurus de estratégias e mencionado em todo o tipo de palestra motivacional e engrandecedoras mensagens de e-mails.


Moral da estória: não importa o que vc faça, quanto você faça nem como faça. Só importa o RESULTADO. É dele que o resto se desenrolará. É ele, e só ele – não seu esforço, nem sua dedicação ou seu sangue, suor e lágrimas – que determinará se você é herói ou incompetente.

terça-feira, 22 de junho de 2010

DIGA NÃO À FESTA DO PEÃO



Assim como na antiguidade a turba alucinada se reunia para ver os gladiadores na arena e os prisioneiros serem crucificados, uma enorme quantidade de bárbaros ainda se reúne em festas com rodeios.

Os circos estão evoluindo e deixando de usar animais para divertir humanos descerebrados, mas a turma do estilo jeca (que eles preferem chamar de country) teima em não evoluir.

O melhor e talvez único jeito de combater a estupidez que são essas festas com rodeios é atingi-los onde dói mais: no bolso, no faturamento, na bilheteria.

Boicotar, e boicotar não apenas o evento, mas todos os patrocinadores, produtos, artistas e demais envolvidos. Para estes, participar de eventos assim é um negócio como outro qualquer, visa o lucro e a divulgação. Ora, se o “retorno” não for bom...

Deixem de tomar a cerveja que patrocina o evento e no ano que vem talvez ela não esteja mais apoiando essa arena de insanidade.

Não comprem CDs dos artistas que ali se apresentam.

Não votem nunca mais no prefeito que permite esse tipo de atividade em sua cidade.

Mas só boicotar não basta, é preciso que os boicotados saibam o motivo do boicote.

Deixem mensagens no site da cerveja, do artista, do candidato. Não precisa ser agressivo, mal educado, calamitoso, nem nada, basta dizer que não apóia a tortura de animais e que não quer ter laços com torturadores ou com quem a apóia.

Não pense que está sozinho nisso e seu protesto não fará diferença. Assim como você, muitos outros podem pensar assim.

Vá em frente, faça sua parte. Como diz no comercial de TV, “se não puder fazer tudo, faça tudo o que puder”.

Se não sabe porque deveria boicotar esse troço, essa anomalia importada dos EUA, então procure ler um pouco a respeito. Pode começar por aqui:

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PC "DE MARCA" NUNCA MAIS

Existem as mais diversas discussões na internet, em fóruns e grupos específicos, sobre qual a melhor aquisição, se um computador Frankenstein, montadão, conhecido também como da “linha cinza” ou aqueles “de marca” e, nesse caso, me refiro aos HPs, Dells, Positivos, StIs e outros.

Geeks e o pessoal escovador de bits e bites tendem para os montados, consumidores leigos muitas vezes preferem os “de marca” adquiridos em grandes lojas de shoppings.


Eu já tive dos dois tipos e também todos os tipos de problemas com ambos – desde placas-mães que se transformam em naves-mães (vão para o espaço) em menos de um ano até memórias RAM que não se lembram de nada e HDs que pifam sem nenhum aviso.

Que uma coisa fique clara: não existe PC que não dê problema. Se existe, para mim é como disco voador: nunca vi.

Assim, de todos o pior problema é, em minha opinião, a hora do conserto. E aí os montados me parecem levar vantagem.


Esses você leva na técnica ali da esquina, chora, implora e no máximo em três dias os caras te devolvem a máquina funcionando, com tudo reinstalado no lugar.
No caso dos “de marca” isso é impossível.


Além da imensa burocracia e uma quantidade enorme de informações a serem preenchidas em meia dúzia de formulários, eles não fazem backup de sua máquina, ou seja, se no conserto for necessário apagar tudo e reinstalar o sistema, azar o seu se não tiver feito backup antes.


Além disso, dão prazos para devolução da máquina como se estivessem falando de um brinquedo e não de um instrumento de trabalho. Vinte dias sem computador é um mês perdido...


Quando comprei um Dell e a placa-mãe pifou pouco depois da garantia de um ano expirar decidi enviá-lo pro conserto numa assistência técnica "não oficial" depois de analisar a relação custo x benefício x prazo de serviço.


Agora, com um novíssimo e poderoso HP ainda na garantia, outra vez um placa-mãe me deixou órfão. Dei entrada na assistência “oficial” no dia 10 de junho. Hoje, dia 21, liguei para o Suporte HP e me disseram que “a máquina está em processo de análise e tudo está dentro do prazo estipulado em contrato”.


Grande merda.

Aprendi e passo a lição a você: na hora de comprar um computador, esqueça grandes lojas de shoppings e marcas. Vá a uma dessas assistências aí em seu bairro e encomende uma máquina. A luta na hora de exigir conserto rápido será menos desfavorável que contra uma HP ou Dell.


PC “de marca” nunca mais.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Copa, África e "os" vuvuzelas

No carro, voltando pra casa, procurando aguma música decente pra ouvir entre as rádios ouço, de passagem, que a FIFA estava estudando proibir a entrada de "vuvuzelas" nos estádios onde se realizam os jogos da Copa.

De imediato, me ocorreu que deveriam estar se referindo a alguma tribo do interior da África e seus integrantes não muito afeitos às maneiras civilizadas de comportamento aceitas atualmente. 

Talvez andassem nus ou fossem muito agressivos, vai saber.

Logo imaginei os problemas que decorreriam da proibição da entrada destes pobres selvagens nos estádios:  acusações de discriminação, protestos dos defensores de direitos humanos, um precedente perigoso num país conhecido pela segregação racial.

Só ao final da tarde, lendo jornal, que descobri que vuvuzela não era nome de uma tribo, nem de nenhum ser humano e que minha preocupação humanística globalizada não tinha razão de ser.

Realmente, futebol não é comigo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O RISOTO DA PEUGEOT

Fiquei intrigado com o comercial de TV da Peugeot e mas intrigado ainda quando vi na internet uma discussão sobre os “significados” do comercial, como se ele fosse uma obra com conteúdo profundo a ser analisado.


Diversos profissionais de propaganda e marketing deram as mais variadas opiniões sobre o quê efetivamente a equipe de criação quis dizer com o tal risoto num comercial de picape leve aventureira.

Muito pareciam, na verdade, procurar pelo em casca de ovo... Alguns foram pelo caminho de que a equipe de redatores tentou dizer que a picapinha, apesar de foco aventureiro, é para gente “normal”, que cozinha, que faz risoto...


Se for isso, leio nas entrelinhas que a picape, apesar de seu jeitão fora de estrada, teoricamente voltada ao público mais ativo, pode ser comprada por manés medrosos que em vez de praticarem esportes radicais ficam na cozinha fazendo risotos.

Pior: olha gente, a picapinha tem só aparência de aventureira, mas é só aparência. Você que fica na cozinha fazendo risoto pode comprar também que não vai te fazer mal não, viu?!...


É pode ser... Mas tem mais.

No comercial o narrador diz que nunca praticou diversos esportes e atividades radicais, de risco e, de repente, diz que o risoto dele nós precisamos experimentar.


A relação que faço é a seguinte: ele – o locutor – nunca se arriscou mas quer que a gente se arrisque (a experimentar o prato que ele preparou). Somos, então, convidados a ser cobaias do locutor. Ele não se arrisca jamais, mas nos chama a nos arriscarmos.

Se é isso, se comer o risoto dele é um risco, concluo então que nem homem de forno e fogão ele é.


Então, a picapinha é aventureira apenas na aparência e o homem caseiro também não é verdadeiramente cozinheiro. Tudo ali é falso.

E é mesmo: é uma picapinha urbana que recebeu uns plásticos, os primeiros a quebrar com qualquer encostadela, pra parecer fora de estrada (leia esse post mais antigo sobre assunto parecido).


Viajei?

domingo, 23 de maio de 2010

MILAGRES II

- Cê viu? Outro milagre.
- Onde? Quando?
- Na Índia. Caiu um avião, 166 pasageiros, 8 sobreviveram.
- Ah, mas aí não é milagre...
- Como assim? Só seria milagre se sobrevivesse apena um?
- É...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ILUSÃO DE ÓTICA??

Tempos atrás a Ford Brasil foi ovacionada por toda a mídia ao lançar o Ecosport. Afirmavam todos que o carro havia inaugurado um novo nicho de mercado - o que era verdade, mas era verdade também, e que ninguém admitiu, que o tal nicho era o dos sem dinheiro pra comprar um SUV de verdade...

Tive um e me arrependi amargamente. A versão 1.6 é fraca, montada sobre a plataforma do Fiesta, não aguenta o peso extra. O câmbio "derreteu" duas vezes e o interior era extremamente barulhento. Mesmo assim achava, e ainda acho, o Eco um carro de design bacana.

Anos mais tarde, atualmente, tenho a impressão de que a Kia tentou a mesma coisa com o seu Soul.

Divulgando em seu comercial que o Soul é "o carro design" (design o quê? Ruim? Louco? Extraterrestre?), afirma que teve alta aprovação em pesquisas sobre sua aparência. Você foi um dos pesquisados? Conhece alguém? Eu não...

De qualquer modo, o Soul parece mesmo buscar um novo nicho de mercado. Não é sedã, não é hatch, não é SUV, não é furgão, não é... Me parece um rabecão moderninho. Poderia ser usado como alternativa aos tradicionais carros-fúnebres, para enterro de artistas e gente modernete, por exemplo.

Talvez você tenha gostado dele, talvez não. Mas a disputa por um nicho, seja qual for, já dá frutos: não é que o Novo Uno parece um filhote do Soul?

Justo a Fiat, que trouxe para seus carros o design-mais-que-perfeito de Giugiaro (Linea, Punto) foi se inspirar no quadradão coreano.

Vai entender...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

MILAGRE

Imagine você andando em sua bike nova, ciscando de nova, com trocentas marchas para subir ladeiras e correr por aí. De repente, numa curva, óleo na pista.

Você cai, se arrebenta todo, vai pro pronto-socorro. O médico, depois de uns exames, vem com um sorriso nos lábios e um RX na mão, dizendo:

- Milagre!! Quebrou todo os ossos do corpo, menos um!

Você iria mandá-lo à merda ou não?!

Então imagine que você comprou uma caixa de bombons pra sua namorada nova (bons tempos em que se fazia isso, heim?!). Você entrega a caixa e ela, ao desembrulhar o primeiro bombom, exclama:

- Nossa, está estragado!

E estava mesmo. Ela abre outro, com um sorriso no rosto, dá na mesma. Dá um suspiro, abre outro, mesma coisa. Ao final da caixa, quando ela tira o papel do último, já com uma cara não muito boa e imaginando que você comprou numa liquidação fora do prazo de validade, finalmente um bombom que parece comestível.

Você se arriscaria a comentar sobre o "milagre"?

Então porque cargas d'água quando ocorre um acidente no qual morre uma pá de gente, mas sobrevive UM, todo mundo sai dizendo que é milagre?

Que milagrinho fajuto, sô.

Pela última vez: milagre seria se NÃO MORRESSE NINGUÉM!