Aquele momento em que você precisa arejar um pouco...

domingo, 23 de maio de 2010

MILAGRES II

- Cê viu? Outro milagre.
- Onde? Quando?
- Na Índia. Caiu um avião, 166 pasageiros, 8 sobreviveram.
- Ah, mas aí não é milagre...
- Como assim? Só seria milagre se sobrevivesse apena um?
- É...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ILUSÃO DE ÓTICA??

Tempos atrás a Ford Brasil foi ovacionada por toda a mídia ao lançar o Ecosport. Afirmavam todos que o carro havia inaugurado um novo nicho de mercado - o que era verdade, mas era verdade também, e que ninguém admitiu, que o tal nicho era o dos sem dinheiro pra comprar um SUV de verdade...

Tive um e me arrependi amargamente. A versão 1.6 é fraca, montada sobre a plataforma do Fiesta, não aguenta o peso extra. O câmbio "derreteu" duas vezes e o interior era extremamente barulhento. Mesmo assim achava, e ainda acho, o Eco um carro de design bacana.

Anos mais tarde, atualmente, tenho a impressão de que a Kia tentou a mesma coisa com o seu Soul.

Divulgando em seu comercial que o Soul é "o carro design" (design o quê? Ruim? Louco? Extraterrestre?), afirma que teve alta aprovação em pesquisas sobre sua aparência. Você foi um dos pesquisados? Conhece alguém? Eu não...

De qualquer modo, o Soul parece mesmo buscar um novo nicho de mercado. Não é sedã, não é hatch, não é SUV, não é furgão, não é... Me parece um rabecão moderninho. Poderia ser usado como alternativa aos tradicionais carros-fúnebres, para enterro de artistas e gente modernete, por exemplo.

Talvez você tenha gostado dele, talvez não. Mas a disputa por um nicho, seja qual for, já dá frutos: não é que o Novo Uno parece um filhote do Soul?

Justo a Fiat, que trouxe para seus carros o design-mais-que-perfeito de Giugiaro (Linea, Punto) foi se inspirar no quadradão coreano.

Vai entender...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

MILAGRE

Imagine você andando em sua bike nova, ciscando de nova, com trocentas marchas para subir ladeiras e correr por aí. De repente, numa curva, óleo na pista.

Você cai, se arrebenta todo, vai pro pronto-socorro. O médico, depois de uns exames, vem com um sorriso nos lábios e um RX na mão, dizendo:

- Milagre!! Quebrou todo os ossos do corpo, menos um!

Você iria mandá-lo à merda ou não?!

Então imagine que você comprou uma caixa de bombons pra sua namorada nova (bons tempos em que se fazia isso, heim?!). Você entrega a caixa e ela, ao desembrulhar o primeiro bombom, exclama:

- Nossa, está estragado!

E estava mesmo. Ela abre outro, com um sorriso no rosto, dá na mesma. Dá um suspiro, abre outro, mesma coisa. Ao final da caixa, quando ela tira o papel do último, já com uma cara não muito boa e imaginando que você comprou numa liquidação fora do prazo de validade, finalmente um bombom que parece comestível.

Você se arriscaria a comentar sobre o "milagre"?

Então porque cargas d'água quando ocorre um acidente no qual morre uma pá de gente, mas sobrevive UM, todo mundo sai dizendo que é milagre?

Que milagrinho fajuto, sô.

Pela última vez: milagre seria se NÃO MORRESSE NINGUÉM!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

DONA ROSA



Minha mais forte recordação dela somos nós dois, em plena tarde de sol, sentados no sofá da sala, ela fazendo tricô (ou aquilo era crochê, nunca sei) e eu comendo biscoitos.

Volta e meia, olhando sobre os óculos, ela dava uma espiadela na TV em preto e branco em que eu assistia aos desenhos do Pernalonga.

Gordinho, às vezes eu “matava” um pacote de bolacha ou salgadinho e ela me dava dinheiro pra ir correndo durante o intervalo comprar outro na venda da esquina.
Enquanto minha mãe, professora de primário, trabalhava meio período – que era quase que o dia inteiro pois gastava horas de ônibus entre o Ipiranga e São Caetano – ela que tomava conta de mim.

Nos raros momentos de sarcasmo, gostava de lembrar à família toda cenas de quando eu era bem pequeno, coisas envolvendo nariz escorrendo, fraldas cheias, medos... Não era por mal, claro, era só pra rirmos um pouco.

Minha avó paterna, a Dona Rosa, 93 anos, faleceu hoje.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

ARCO E FLECHA E LASER AO MESMO TEMPO

No mesmo dia em que leio que o Financial Times classificou como “fanfarronice” a divulgação de dados animadores sobre crescimento econômico na América Latina, em especial no Brasil, país do qual em outro artigo lamenta a precariedade na infraestrutura, indo dos portos às estradas, do atendimento em saúde à urbanização das favelas, profetizando que “o futuro brilhante do país parece estar fora de alcance”, vejo com terror que o governo, com bruxaria mal feita, reanima a morta viva Telebrás para tocar o Plano Nacional de Banda Larga.

Pois é: enquanto a imprensa especializada fala de nossas deficiências primárias o governo se prepara para torrar R$13 BILHÕES para alavancar o projeto, cujos detalhes ainda são um mistério.

Isso é bom? Chegará a quem realmente precisa? Não sei. Esse país, muitas vezes, me parece aquele cara que deixa de comer direito para comprar um carro novo, entende? Porque não cuidar do básico primeiro?

Além do mais, se você quer mesmo banda larga vá morar no Japão. Em 2008, por lá já era normal uma conexão por fibras óticas de 5Mbps para downloads e 11,25Mbps para navegação, a preços que a maioria podia pagar, enquanto que por aqui isso ainda é utopia até mesmo para a classe A.

A tal “banda larga” de que o governo fala e na qual pensa em investir aqueles bilhõezinhos – piada - é de 512k... ka...ka...ka...ka...

Esse dinheiro não ficaria melhor na saúde? Reforma Agrária? Na habitação?
Não, vamos navegar pela internet na esfuziante velocidade de uma lesma bêbada enquanto a maioria do povo ainda vive na miséria.

O Financial Times parece ter razão, não?!

Que mania mais terceiromundista essa do governo se meter onde não deve nem precisa. Nos EUA há ou houve algo semelhante à Embrafilme? A Europa tem algo parecido com a Telebrás?

Não. Lá a iniciativa privada se ocupa disso e o governo cuida do básico: saúde, transporte, educação, moradia.

Queremos muito ser primeiro mundo, mas as cabeças estão ancoradas no fundo do terceiro.

E
m tempo: nosso prefeito Quemssab, não, Nunssab...não, o Kassab agora quer demolir o Elevado Costa e Silva, o Minhocão.

Especialistas em tráfego, engenheiros e urbanistas são a favor.

Eu acho que vai sobrar: pros motoristas, aqueles que têm horário pra chegar ao trabalho todo dia, um transtorno de meses ou até anos durante as obras. Pro contribuinte, a conta da lambança.

Só vão ganhar mesmo os diretamente ligados às obras: engenheiros, empreiteiras, o próprio governo municipal. Superfaturamento, acidentes, contratos suspeitos e, no final, os famigerados outdoors com a frase “Obra de Fulano de Tal”.

Sei que não dá pra fazer omeletes sem quebrar ovos, mas as últimas omeletes paulistas fizeram muita sujeira na cozinha por tempo demais e ninguém veio limpar depois. E, afinal, nem ficaram tão gostosas como prometido.

Paulista é gato escaldado: já viu alguma obra recente que tenha dado certo?
Entregado “de verdade” o que prometeu?


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Muitas mães para um dia só!

Eu ia preparar algo para o Dia das Mães, mas uma série de outros compromissos me desviaram a atenção e meu tempo.

Mas recebi de um colega o texto e fotos que publico abaixo. Melhor ele que eu, pois tem mais experiência: está cercado delas por tudo que é lado.


Olá! Tudo bem?


Geralmente essa incumbência de escrever artigos em datas importantes ou assuntos de alta relevância é do meu sócio, o Alberto Matos. Contudo, dessa vez, para o DIA DAS MÃES resolvi sair na frente simplesmente pelo fato de ter mais experiência nesse negócio de mãe.

Sou o sétimo filho, com três irmãs mais velhas, duas delas pela grande diferença de idade me tratavam como filho. Quer dizer, me tratam como filho até hoje.

Além delas e de minha mãe, tenho sogras, isso mesmo sogras. São três casamentos e, segundo o novo Código Civil, você se divorcia somente da esposa, sogra é pra sempre e continua de certa forma sendo sua parenta.

Então, recontando, são seis e se considerarmos as mães dos meus filhos, tenho perto de mim mais duas, aí já são oito. Como seria injustiça deixar minha atual esposa de fora, que embora não tenha filhos trata os meus quatro docinhos (três meninas e um menino) como se dela fossem, vou incluí-la com louvor.

Afinal, ela é a única que teve escolha de gostar ou não dos nossos filhos. Sim nossos! Agora ela é a mãe de todos, pois ama a todos da mesma forma. Bom, pra quem já se perdeu na conta lembro que agora são nove.


Isso mesmo, nove lindas e maravilhosas mães. Elas me deram de tudo. Minha mãe biológica me deu mais duas mães, minhas duas primeiras sogras duas namoradas, depois duas esposas e depois duas ex-posas. É , é assim mesmo que escrevo: ex-posas, porque tenho a amizade delas até hoje e convivemos em perfeita harmonia e porque sempre colocamos a felicidade dos filhos em primeiro lugar.

Minha ultima e atual esposa pretende ser mãe biológica no ano que vem, o que deverá ser por inseminação, sou vasectomizado. Isso poderá gerar gravidez gemelar. Com sorte serão dois, mas podem ser três, quatro...

Imaginando na melhor hipótese dois e se forem duas meninas, serão mais cinco futuras mamães perto de mim, o que levaria ao número de quatorze Mamães.

Sou ou não sou um felizardo?

Tudo isso pra dizer o quanto todas vocês, Mães biológicas ou não, são tão importantes em nossas vidas.

Feliz Dia das Mães!

Rogerio Machado