Aquele momento em que você precisa arejar um pouco...

sexta-feira, 28 de março de 2008

DESACOSTUMAR

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia”.

Ao contrário do slogan da rede de fast food, ele não amava muito tudo isso. Ele estava cansado, realmente cansado.

Não um cansaço físico, mas mental. Cansado de ter de se acostumar, como escreveu
Marina Colasanti em “Eu sei, mas não devia”.

Pensava em como poderia escapar dessa ciranda tristemente viciosa que a cada dia se tornava mais pesada e sem saída.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer”.

Mas ele sofria.

Algo lhe dizia, como vozes para um esquizofrênico, que havia sim uma saída, e se angustiava ainda mais por sentir o tempo passar e não encontrá-la.

Foi quando leu sobre a estréia de “
Into the Wild” (Na Natureza Selvagem, aqui), baseado na trajetória de Christopher McCandless rumo ao Alasca em busca (ou fuga) de... Bem... McCandless morreu e só há interpretações possivelmente contaminadas sobre sua escapada.

Pouco depois leu sobre
Jonathan Dunham, um ex-professor canadense que largou tudo e está cruzando o planeta a pé acompanhado de seu burro, chamado Judas. Motivo, nem ele mesmo sabe ao certo. Jornais ao longo de sua rota noticiaram que ele estava caminhando pela paz mundial, para estabelecer um recorde mundial ou para divulgar a palavra de Deus.
"Eles sempre encontram algo para dizer", disse Dunham sobre os repórteres que buscam conhecê-lo.

Lendo isso, lembrou-se da multidão seguindo Forrest Gump enquanto corria. Ele apenas corria.

Dias depois, entre suas séries enlatadas preferidas, viu Jason Gideon (Mandy Patinkin) abandonar a liderança intelectual da equipe de agentes do FBI em “Criminal Minds”, deixando apenas uma carta explicando sobre sua dificuldade em ainda acreditar que as coisas podem dar certo no final.

E espantou-se com Sara Sidle, em pleno breakdown emocional diante de tantas tragédias, despedindo-se de Grisson em “CSI”. A personagem também deixa uma carta dizendo que, apesar de ter feito de tudo para ficar, precisava de um tempo para “repensar”.

Será tudo sintoma de atenção seletiva?

É um erro buscar a felicidade fora de si, dirão alguns. Mas não é de um enorme pedantismo intelectual achar que nada de fora nos atinge e basta procurar lá dentro, que somos dissociados do mundo à nossa volta, que podemos ser imunes a ele?

Não somos: ele nos influencia. Às vezes, demais.

Será que é possível "desacostumar" de tudo e recomeçar em outro lugar, viver outro personagem?


“- ...E o que você vai fazer quando chegar ao Alasca?"
– pergunta o divertido malandro vivido de maneira carismática por Vince Vaughn.

“- Apenas viver, cara, viver...”, responde McCandless.

terça-feira, 25 de março de 2008

TREMENDA PRESEPADA

Dois publicitários marcaram de se encontrar prum almoço. Haviam trabalhado juntos uma época, passado já meio distante e há tempos não se viam.

Acertaram o horário e local por troca de e-mails.

Chamemos o publicitário que chegou primeiro de Publicitário 1, ou P1. O outro, P2.


P1

P1 olhou para os lados na calçada e não localizou seu amigo. Resolveu então espiar dentro do restaurante.


Olhou no salão inferior, nada. No superior, também não. Ou melhor, não vira seu amigo, mas o restaurante estava começando a lotar.

Olhou para o relógio e viu que faltavam quinze minutos para o horário marcado. Resolveu pegar uma mesa antes que não sobrasse nenhuma. À primeira garçonete que veio até P1 disse que estava esperando alguém e faria o pedido depois que essa pessoa chegasse. À segunda garçonete repetiu a frase. À terceira, resolveu pedir um suco para poder continuar jogando palavras-cruzadas em paz no seu celular.

Passaram dez minutos da hora marcada. Bem, isso acontece, pensou, ainda mais em São Paulo. O cara deve estar preso no trabalho ou no trânsito... Não, ele vem a pé pra cá. Hmmm...

Há um casal na mesa ao lado. Normalmente são as mulheres que falam mais, mas o cara ali devia estar querendo impressioná-la. Não pára de falar nem pra respirar, que coisa.

Mais dez minutos, hora de ligar pra ver se houve mesmo algum imprevisto. A operadora avisa que o tal número não existe. Lembra-se que esqueceu de atualizar o número, apesar de ter recebido o aviso por e-mail. Tenta o outro número, no trabalho, mas era da agência anterior, de onde P2 havia saído há pouco. O jeito é esperar.

Duas balzaquianas discutiam a postura do chefe numa certa reunião que tiveram. Não há como falar bem de um chefe, mas precisam falar tão alto? Um senhor bem apessoado, de terno e gravata, chega apressado faz o pedido, almoça, pede sobremesa, come apressado e vai embora. Dureza essa pressa toda...

Mais dez minutos. Achou melhor ir pegar uma salada no bufê e ir tapeando. As garçonetes recomeçaram o desfile. Resolveu pedir um prato, que a essa altura veio mais rápido que o normal pois o restaurante já estava esvaziando. Bem, não iria esperar a comida esfriar. Já havia dado o cano em alguns encontros, todos com bons motivos, pensou P1, agora era sua vez de sobrar.


P2

P2 chegou no horário marcado e ficou na calçada, em frente ao restaurante, e nada do amigo chegar.

Passados quinze minutos resolveu entrar e olhar o salão. Nada. Lotado, mas não viu seu amigo.

Era melhor reservar logo uma mesa, pois o restaurante estava ficando cheio. À primeira garçonete que veio até P2 disse que estava esperando alguém e faria o pedido depois que essa pessoa chegasse. À segunda garçonete repetiu a frase. À terceira, resolveu pedir um suco para poder ficar ali sossegado com seus pensamentos.

Passaram mais dez minutos, já estava ficando tarde prum simples atraso. Lembrou-se de que não tinha o celular do amigo nesse seu novo aparelho. O jeito era pedir um prato e ir comendo devagar.

Esses restaurantes na região são interessantes, pensava, pois reúnem as “executivetes”. Lembrou-se da música “...I wanna girl with a short skirt and a long, loooonng, long jacket...”..

Mais dez minutos. Foi até muito para um prato não tão generoso. Melhor pedir a sobremesa e voltar logo pro trabalho. O amigo já havia furado em alguns encontros e ele sabia dos motivos. Provavelmente, daria mais uma daquelas desculpas mas, tudo bem, não era por mal. Pelo menos o restaurante é bom, a comida é boa, pensou.

... ...

P1 terminou o almoço, pegou sua carteira, seu celular e desceu as escadas. De cara, ou melhor “de nuca” ele percebeu. Conhecia aquela nuca, sem malícia por favor, naquela mesa ali ao centro do salão no térreo. P2 estava terminando a sobremesa.

Riram. Riram da tremenda presepada, uma expressão do passado em comum, que aprontaram com eles mesmos.

E conversaram como se encontrassem um ao outro todo dia.

segunda-feira, 24 de março de 2008

ARREPENDEI-VOS, O FIM ESTÁ PRÓXIMO


Ele estava numa livraria de shopping matando o tempo, folheando revistas e livros, lendo de graça, quando se deparou com o livro “2012 – O Fim Anunciado”. Na mesma prateleira, mais um: “Apocalipse 2012”. E outro: “2012 PROFECIAS - Um mundo morre e outro nasce”.

O primeiro pensamento que lhe ocorreu foi “...que bom, não está tão longe, talvez agüente até lá...”.

2012 é o ano fatídico segundo uma infinidade de profecias antiqüíssimas, artigos dos mais variados autores, estudos metafísicos, mensagens do além.

O povo Maori descreve os acontecimentos em suas lendas, os maias têm aquele famoso calendário, há uma profecia tibetana, os incas também têm (veja bem, não os incas venusianos, inimigos do National Kid...) e até no código da Bíblia há menção sobre o tal ano.

Todos prevêem grande destruição, mas há quem defenda que toda a desgraceira será para o bem. New Agers acreditam que será o passo final para a entrada na Nova Era, uma época a vir em que o mundo vai restabelecer a ordem e o equilíbrio. Uma nova era de Luz, Paz e Amor.

Será uma megalômana reedição cósmica de Woodstock?

Ficou intrigado com isso e resolveu colocar “2012” no Google. Pimba! Milhares de sites tratam do assunto, cada um à sua maneira. Estudam da mudança do pólo magnético da Terra, sua centralização na Via Láctea, onde haveria um imenso buraco negro, apontam os nascimentos das crianças-índigo que já estariam entre nós sendo preparadas para reconstruir o mundo que será destruído...

Os indígenas Hopi da América do Norte contam que “Quando a Mãe Terra estiver doente e os animais a desaparecer, vai chegar uma tribo com pessoas de todas as culturas, que crêem em fatos e não em palavras, e vão ajudar a restaurar a antiga beleza da Terra. Eles serão conhecidos como os Guerreiros do Arco-íris”.

Num desses sites, um artigo ensinava que os tais Guerreiros do Arco-Íris viriam de outros planetas, de outras galáxias. Hmmm...

Serão os Guerreiros do Arco-Íris um exército de gays liderados pelo Village People (os quatro cavaleiros do apocalipse)? OK, não, eles eram seis...
Pelo sim, pelo não, se a coisa toda for uma catástrofe o pior que pode acontecer a você é sobreviver e ficar vagando num mundo devastado. Se não estiver totalmente devastado, ser hétero o tornará um bicho estranho.

Nostradamus diz que bilhões irão morrer, mas um terço da humanidade sobreviverá e repovoará a Terra. O lado bom é que o trânsito ficará bem melhor, nem compensa investir muito em infraestrutura já que 2012 está tão perto. O intrigante é imaginar um futuro tão próximo no qual os gays repovoarão o planeta...

Putz – pensou – até o Fim do Mundo é uma droga...



P.S.: antes que os ultra-político-corretistas comecem a malhar o blog, informo que nada tenho contra gays, de jeito nenhum. São apenas livres-pensamentos a respeito de tão sérias previsões.

ARISTÓTELES E NIETZSCHE

Olhando agora ele precisava admitir que deixar crescer a barba cerrada e grisalha tinha sido um certo tipo de rebeldia, um tanto tardia e tímida, ele sabia, mas algo meio que nos moldes dos jovens cabeludos e barbudos nos anos 60 e 70. Hippies protestando contra “o sistema”, sabe-se lá o que era isso.

Obviamente, justificou-se com todos os argumentos disfarçantes que encontrou, desde simples preguiça até a economia de tempo no banheiro pela manhã. Mas, em verdade, protestava.

Seu protesto vinha do fundo da alma, não era algo claro nem a ele mesmo. Fazia-o como um impulso que aos poucos foi entendendo. Era rebeldia contra o tipo de vida que levava, escravo do relógio, das cobranças da chefia, das pressões da vida corporativa, dos conjuntos “cabelos curtos-ternos cinza-sapatos pretos-gravata”. Era um protesto contra a exigência de criatividade apenas no discurso num mundo que prezava, antes de mais nada, a homogeneidade inclusive de pensamento – e, por tabela, a mediocridade. Mediocridade difícil de apontar entre executivos bem remunerados. Mas percebia que todos pensavam igual, agiam igual, acertavam e erravam igual, contavam piadas iguais...

Tardio esse protesto, como já disse, pois já passara dos 35 há tempos.

Como única vazão, deixar crescer a barba não foi suficiente para sanar essa revolta interior. Dissonante, doente por não conseguir colocar sua imaginação e suposto talento em serviço, foi se tornando sorumbático, calado, esquivo, exatamente como descreve o
Indicador de Tipos Myers-Briggs com pessoas assim.

Perguntava-se às vezes qual o motivo disso tudo nessa altura de sua vida. Era difícil localizar um momento específico, um evento ou causa única. Percebia que desde muito cedo tinha tendências melancólicas. Passava tardes inteiras preenchendo cadernos de desenho ou brincando sozinho com seu Forte Apache. Brincava também com os amigos, mas ficar só com seus pensamentos – ou, em outras palavras, viajando profundamente num particular mundo de imaginação pura e livre - não era algo estranho para ele. Ler quase inteira a coleção Conhecer e se deslumbrar com as aventuras vikings ou os relatos das Cruzadas enquanto os primos iam pular Carnaval à tardinha causava estranhamento em toda a família, mas fazer o quê, era assim que se divertia acompanhado de uma lata de biscoitos de Maisena.

Melancolia, como diria Aristóteles, é um estado de espírito associado a uma experiência de interiorização profunda e fértil, um estado afetivo propício a todo ser que tenha como projeto compreender e modificar o mundo, mas que traz consigo um peso e imobilidade que infligem simultaneamente ao corpo e a mente, um afundamento nos próprios pensamentos e a perda de interesse pelo mundo exterior, descrevendo os sintomas da bílis negra, uma das muitas substâncias constituintes do corpo humano segundo a medicina antiga.

É mais freqüentemente associada a escritores, pintores, filósofos e intelectuais.

Quem dera...

Para ele, o duro de ser melancólico não era parecer sempre triste, ser considerado esquisito ou sentir o peso da existência em suas costas, mas não ter o talento para tirar algo disso como fez Nietzsche, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Dostoiévski, Machado de Assis, Miguel de Cervantes, Camus, Kafka, Goya, Baudelaire, Dürer... São exemplos de gênios, em que a criatividade surgia a partir da melancolia. Em comum entre os grandes e famosos melancólicos da história da literatura, uma certa insatisfação com a vida.

Nietzsche, que desconfio secretamente ter sido brasileiro, carioca ou baiano, desenvolveu a teoria da criatividade associada à alegria e à vontade de viver. O culto ao peso e à melancolia parecia-lhe antes um dos sintomas do niilismo europeu. Seu projeto de uma "Gaia Ciência" escolheu não o eremita nem o monge como modelo, mas a criança que brinca, o homem que dança, a mulher que canta.

E o brasileiro, o povo, o país, aprendeu direitinho. Aqui, o melancólico é o chato de galocha, o mala-sem-alça.

Não dá futuro ser melancólico em meio a tanto samba, suor e cerveja.

quinta-feira, 20 de março de 2008

QUE DÊ A PRIMEIRA BUZINADA QUEM NUNCA...


O assunto da semana tem sido o espantoso, moroso, torturante e, como todo mundo diz, caótico trânsito aqui em SP.

O Governo e a Prefeitura apressam-se em adotar medidas de urgência para tentar ao menos desafogar alguns corredores. Melhor seria rezar para São Cristóvão...

Como não poderia deixar de ser, tais medidas são principalmente compostas de obras – uma oportunidade de superfaturamentos e altos ganhos para os envolvidos – e contratação de mais fiscais de trânsito – uma excelente fonte de captação de recursos, um eufemismo para “indústria das multas” que políticos teimam em dizer que não existe.

Mas essas ações visam, principalmente, as vias de grande fluxo, as avenidas nas quais o trânsito deveria ser rápido (isso sim, não existe). Mas uma voltinha de poucos minutos pelas ruas do bairro onde moro mostrou que falta ainda uma atitude dos governantes: priorizar a educação e conscientização.

Coloquei minhas duas cachorrinhas no carro e fui levá-las numa praça aqui perto, onde as solto e deixo andar, correr, cheirar a grama, encontrar outros cães. Parecia algo simples e corriqueiro, mas com o assunto “trânsito” na cabeça, prestei atenção:

- o motorista dum ônibus, ao parar para pegar e deixar descer passageiros, não encostou no meio-fio. Ficou no meio da rua, segurando uma enorme fila de carros enquanto senhoras de idade avançada tentavam entrar ou sair do ônibus, sob protestos de um “buzinaço” logo de manhã;

- em frente às escolas (tem duas no caminho), as mães continuam estacionando em filas-duplas, afunilando e às vezes impedindo o fluxo de quem só quer passar. É só um minutinho, né...;

- o mesmo acontece em frente à padaria;

- ninguém lembra (ou simplesmente não estão nem aí) das aulas na auto-escola, em que se aprendia (ou deveria aprender) que a prioridade num cruzamento, não havendo vias principais e secundárias, é de quem vem pela direita. Isso evitaria as brecadas bruscas e sustos logo na esquina de casa;

- pedestres, cheios de direitos porque são o lado mais fraco, desrespeitam o semáforo e atravessam a rua enquanto o sinal é verde para os carros, nem se importando com o homenzinho vermelho piscando do outro lado;

- um apressado atravessa pelo meio de uma rotatória como se ali não houvesse marcação nenhuma. Sorte, pois o outro que vinha pela esquerda conseguiu brecar a tempo;

- um caminhão de refrigerantes e cerveja, muito mal estacionado, afunilava a passagem numa rua com carros parados nos dois lados;

- em frente aos diversos edifícios em construção, as betoneiras e as caçambas de entulhos ocupam quase meia via;

- olhando para o relógio, atrasados saem das garagens dos prédios com se mais ninguém transitasse por ali, enfiando estupidamente o automóvel na rua e fazendo o costumeiro e já sem sentido sinal de “desculpas”.

Isso tudo em pouco menos de dez minutos ao volante...

Que dê a primeira buzinada quem nunca cometeu alguma ou sofreu com essas barbeiragens. Obras e fiscais não terão efeito algum frente à falta de educação, displicência e ignorância dos motoristas profissionais ou não.

Em São Paulo, mais que a explosão automobilística e vias apertadas, os motoristas são vítimas deles mesmos.




quarta-feira, 19 de março de 2008

AS PIORES COISAS DE SE DIZER A UM DEPRIMIDO


Quem já teve depressão sabe: ouvimos muita besteira... As "besteiras", na maioria das vezes, são recheadas de boas intenções, ditas por pessoas próximas a nós e que nos querem bem. Mas, talvez por falta de informação, uma frase com uma boa intenção dita na hora errada é pior do que o silêncio.


Se já passou ou passa por isso, com certeza já ouviu uma dessas:


"Isso é coisa da sua cabeça." (De onde mais seria?...)


"Tem tanta gente pior do que você." (Diga isso e faça-o se sentir ainda mais culpado...)


"Você tem tudo, não tem porque se sentir deprimido." (Uma variação da frase acima)


"O dia está tão lindo!" (E eu com isso?..)


"A gente escolhe ser feliz ou não." (CULPA! CULPA!)


"Bom, pelo menos não aconteceu nada." (Depois que você disse que não sabia exatamente por que estava tão triste fazia alguns meses)


"Ânimo!!" (mas qual o motivo?...)


"A gente precisa se ver" (Ah, sim, claro...)


"Dorme um pouco. É o que eu faço quando fico triste."


"Mas você é tão jovem!"


"Você está com TPM?"


"Todo mundo passa por bons e maus momentos."


“Isso passa.” (A VIDA também passa...).


"Você está sendo muito egoísta." (Mais culpa...)


"Você é carente e só quer atenção."


"Como você é preguiçoso!"


"Eu sei como é." (Não, você não sabe!)


"Arranje um objetivo." (Essa é a dificuldade...)


"Reze que passa."


"Leia isso, isso , esse e mais esse..." (...E fique longe de mim, é isso que quer dizer?)


"Não sei por que você esquenta a cabeça, larga pra lá." (Largar o quê? Minha cabeça?)


"Vai curar tua depressão na p.q. te pariu!" (Bem, pelo menos foi honesto.)


"Você tem que sair disso sozinho e não é se entupindo de remédios antidepressivos que vai conseguir".


"Todo mundo passa por isso". (Ou seja, deixe de ser besta.)


"Não se entrega, não".


"Um dia desses eu passei a tarde procurando uma sandália, andando debaixo de um sol quente e não encontrava, já tava começando a dar uma depressão..."


"Às vezes eu fico em casa sozinha e também me dá uma depressão..."


"Depressão que nada! Essa é a desculpa mais usada no exército para quem quer se aposentar mais cedo."


"Não entendo por que você está cansado. Não faz nada o dia inteiro..."


E você, já ouviu outras além dessas?


Obs.: essas frases, além de ter ouvido muitas, eu pesquei em http://www.geocities.com/vip132/melhoresepiores.html

terça-feira, 11 de março de 2008

CÉLULAS-TRONCO, O DIREITO À VIDA, O CATOLICISMO HIPÓCRITA E A INCOERÊNCIA CONVENIENTE.





Em termos embrionários, somos todos iguais...










O pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito, uma estratégia para adiar o julgamento da questão, não impede o debate nacional sobre o assunto, felizmente.

O causo é realmente polêmico, difícil e, aparentemente, vai se definir pela melhor argumentação, independente de ciência ou religião.

Não é coisa pra se discutir em "mesa de bar" como é o propósito desse blog, mas o que me incomoda demais é a INCOERÊNCIA CONVENIENTE.

Muito além de questões apenas católicas, científicas ou técnico-jurídicas, discute-se o direito à vida, algo pra lá de filosófico, quase metafísico.

O Presidente Bush, em seu fanatismo religioso direitista, é contra as pesquisas pois fere o direito à vida, mas é ele mesmo que envia milhares de soldados ao outro lado do mundo pra explodir vidas. Hmmm...

Aqui no Brasil, os que são contra as pesquisas pelo mesmo motivo central - direito à vida - se vencerem a questão possivelmente irão comemorar com um grande churrasco.

EI!!

Mas estamos falando de VIDA, não? O boi que virou churrasco não era uma vida?

Os que defendem "a vida" são todos vegetarianos? Duvido.

Como de costume, apegam-se a pedaços convenientes de idéias e argumentos, deixando de lado a parte que incomoda, que contraria sua argumentação.

Por que a Igreja não condena as pesquisas com animais (vivissecção)? Por que a Igreja não condena a alimentação carnívora?

Simplesmente porque não é conveniente...

Se vamos defender a vida, que defendamos TODAS elas, não apenas aquelas que, potencialmente, poderiam vir a engrossar as fileiras nos bancos das missas de domingo.

quarta-feira, 5 de março de 2008

AVE...


Entre os céticos, agnósticos, ateus, cientistas em geral, parte da intelectualidade e de gente comum como eu e você é comum ouvir e aceitar a idéia de que as religiões foram, no decorrer da história da humanidade, as grandes responsáveis pelo atraso nos avanços das ciências e das artes, não esquecendo que sob acusações de blasfêmia ou heresia muitas das mais fantásticas e inovadoras idéias nas cabeças pensantes rolaram - junto com as cabeças - ou, para manter a vida, calaram.

Ignorando que contra fatos não há argumentos, religiosos têm tentado ao longo dos séculos refutar essa idéia.

Mas o que dizer, tratando de fatos um tanto presentes, sobre a ação direta de inconstitucionalidade contra os dispositivos da Lei de Biossegurança que tratam das células-tronco impetrada pelo procurador-geral da República, Cláudio Fonteles?
Saudadas pela maioria absoluta dos estudiosos do mundo inteiro como a descoberta mais promissora das ciências biomédicas, as pesquisas com células-tronco são permitidas em países culturalmente tão distintos entre si como Espanha, Finlândia, Japão, Israel e Reino Unido. A grande exceção, como se sabe, são os Estados Unidos, onde o poder político do fundamentalismo religioso no governo Bush chegou a níveis sem paralelo nas sociedades desenvolvidas da atualidade. E foi por inequívoca motivação religiosa, apesar dos seus desmentidos, que o então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, entrou com a ação no Supremo.

Fonteles cita diversos “cientistas” que concordam com sua visão mas esconde que, dentre estes, um é representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB; outro integra o Núcleo de Fé e Cultura da PUC de São Paulo, uma iniciativa da Arquidiocese de São Paulo; um terceiro, além de pertencer ao Núcleo de Fé e Cultura, é correspondente da Pontifícia Academia Pro Vita, entidade criada pelo Vaticano. Sobre os cientistas estrangeiros que menciona, Fonteles omite que são ambos integrantes da Opus Dei, a organização católica mais reacionária do mundo e que seis dos nove brasileiros citados são autores de obra coletiva patrocinada pela Pastoral Familiar da Igreja Católica. Ele só fala, portanto, da patota de sua fé – como escreveu
André Petry em artigo na Veja.

A tese de Fonteles é um sofisma. Invocando o princípio constitucional da defesa da vida e sustentando que as pesquisas com células embrionárias destroem vidas humanas, pede que sejam banidas. Primeiro, a lei só liberou os estudos e as terapias do gênero com embriões descartados, porque inviáveis, nas clínicas de reprodução assistida ou congelados há no mínimo três anos.

Um embrião sem nenhuma chance de ser implantado em um útero, cujo outro possível destino é o lixo, ou um embrião congelado, que aos genitores não mais interessa implantar, em hipótese alguma poderia ser considerado vida, ou vida em potencial. Mesmo no útero, na reprodução natural, a implantação do embrião só ocorre a partir do 6º dia - e os biólogos trabalham com aglomerados celulares (blastocistos) de até 5 dias.

Outro assunto religioso de nossos tempos: o que pensar sobre a campanha
coercitiva sem precedentes no País iniciada por “pastores e fiéis” da Igreja Universal contra o jornal A Folha de S. Paulo e orquestrada em 56 municípios simultaneamente?

Se a igreja e o seu fantasticamente bem-sucedido CEO pedissem a abertura de processo contra o jornal e a jornalista, no foro apropriado, seria um caso legítimo de quid pro quo. Nessa hipótese, a liberdade de imprensa pressupõe isso. Mas a liberdade de imprensa não pressupõe que a parte atingida responda com ações simultâneas em 20 Estados. É uma tentativa torpe de amordaçar os meios de comunicação sob a capa de uma busca legítima de reparação pela via judicial.

A TV Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, usou recentemente grande parte do programa Domingo Espetacular, no horário nobre, para
atacar a imprensa e ameaçar o trabalho de repórteres.
Perguntinha: nenhum evangélico protestou contra a publicação do livro “
Bispo S/A”, pela editora católica Ave Maria?

Aliás, católicos, não é pecado falar mal assim dos outros?!...

E por que volta e meia algum evangélico dá uns chutes nalguma estátua de santo católico?

E por que esse clima de hostilidade entre uns e outros se Jesus, supremo inspirador e líder cristão, ensinou a dar a outra face?

E por que, cargas d’água, quando se fala em
ensino religioso nas escolas só se contempla o catolicismo/cristianismo? Como fico eu, que venero e rezo regularmente para Beavis & Butthead?

Num país pluricultural como o nosso, não podemos ser todos cristãos apenas por imposição dos primeiros portugueses que aqui chegaram (ué, e os índios que já estavam aqui ainda antes destes?!) ou daqueles que atualmente nos colonializam. You know...
Na constituição federal são atribuídos os exercícios sacerdotais à apenas três categorias religiosas: o Padre (sacerdote católico), o Rabino (sacerdote judaico) e o Pastor Protestante (sacerdote de confissão evangélica). Ficam de fora as religiões não cristãs (Islamismo, Budismos etc.) e religiões cristãs que estão fora da classificação de católicos e protestantes (Kardecismo, Umbandismo etc.).

Onde encontraríamos professores aptos a dar aulas democraticamente em todas as religiões, sem pender ideologicamente para um lado ou outro, já que em muitos casos elas são excludentes em suas visões?



Mais: a quem interessa – e com que finalidade política e econômica de longo prazo - o ensino religioso nas escolas?

Por que as religiões, de modo geral, não param com seu proselitismo exagerado, eletrônico impresso e agora judicial, em busca de mais e mais fiéis? São todos bonzinhos e querem salvar os desgarrados do rebanho?

Não. É porque as Religiões teriam muito a perder.


São “business” que movimentam muito, mas muito dinheiro.

terça-feira, 4 de março de 2008

FIGHT THE POWER!

Esse era o título de um hip hop do Public Enemy lançado na trilha sonora de Faça a Coisa Certa, de Spike Lee, em 1989.

Como o "poder" (sobre o que vai pra mídia, o que é mais indicado na internet e tudo o que nos empurram goela abaixo) hoje está nas mãos da imbecilidade generalizada (vide post abaixo, anterior), vamos à luta com duas sugestões de livros:

Trata-se de um alerta, como adverte o subtítulo “Uma análise pungente da (ir)realidade corporativa”. Especialista em comunicação, Luli Radfahrer analisa, de maneira bem-humorada, mas nem por isso menos séria, as distorções entre discurso e prática apresentadas nos livros de auto-ajuda.

A obra mostra a influência desses manuais para a formação de uma sociedade conformista, com pessoas descontentes com a vidinha que levam (mesmo que ainda não tenham consciência disso). Antes de derrubar o pragmatismo dos livros de auto-ajuda - ou aprimoramento profissional, estratégia corporativa, psicologia empresarial, recursos humanos ou biografia de negócios -, Radfahrer se propõe a fazer uma crítica social.

Uma possível atualização seria “A Arte da Guerra para O Monge e o Executivo, que cultivam Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes e sabem que Quem Mexeu no Queijo foi o Pai Rico”...rs...rs...

Numa improvável viagem em busca da “resposta definitiva”, seguem um coiote, um sábio taoísta, um bufão, um mestre zen, alguns cientistas e diversos palhaços...

Sabedoria Radical, de Wes “Scoop” Nisker, apresenta as idéias mais significativas, surpreendentes e instigantes da história. Neste best-seller clássico, Nisker reúne os ensinamentos radicais de visionários excêntricos como Albert Einstein, Rumi, Mark Twain, Buda, Lao-tsé, Jesus.

Ao contrário do conhecimento positivo, a sabedoria radical utiliza outra forma de assimilação e abordagem. Alguns chamam essa forma de intuição ou visão, que muitas vezes revela o saber que ultrapassa o entendimento. Os caminhos para a sabedoria radical, segundo o autor, passam pela prece, pela meditação, pela arte, poesia, natureza, narrativas e pelas canções despropositadas.

Descubra o fio comum a essas múltiplas perspectivas e faça uma viagem bem-humorada rumo à Iluminação!

segunda-feira, 3 de março de 2008

ANTIRRACIONALISMO E ANTIINTELECTUALISMO ARROGANTES


Trechos do artigo “Como emburrecer americanos - A venenosa mistura de antirracionalismo com ignorância sobrepuja as previsões mais apocalípticas sobre o futuro da cultura dos EUA, de Susan Jacoby*, publicada no jornal O Estado de S.Paulo de 02/03/2008 e que pode ser lida na íntegra
aqui.

É quase impossível falar sobre de que forma a ignorância da população contribui para graves problemas nacionais sem ser rotulada de "elitista", um dos mais poderosos pejorativos...

A mediocridade, para parafrasear o falecido senador Daniel Patrick Moynihan, tem sido continuamente definida, em várias décadas, por uma combinação de forças até agora irresistíveis. Essas forças incluem o triunfo da cultura do vídeo sobre a cultura impressa (e por vídeo quero dizer qualquer tipo de mídia digital, assim como as mídias eletrônicas antigas); um descompasso entre o nível em elevação da educação formal dos americanos e seu domínio titubeante de geografia, ciências e história básicas; e a fusão do antirracionalismo com o antiintelectualismo.

Primeiro e acima de tudo, entre os vetores do novo antiintelectualismo, está o vídeo. O declínio da leitura de livros, jornais e revistas é agora uma história velha. A falta de leitura é mais acentuada entre os jovens, mas continua a se acelerar e a afligir americanos de todas as idades e níveis de instrução.

Segundo um relatório divulgado no ano passado pela National Endowment for Arts, o hábito da leitura decaiu não apenas entre as pessoas com baixos níveis de instrução. Em 1982, 82% das pessoas com curso superior liam romances e poemas por prazer; duas décadas mais tarde, essa porcentagem era de somente 67%. E mais de 40% dos americanos com menos de 44 anos não leu um único livro - de ficção ou não-ficção - no decorrer de um ano. A proporção de jovens de 17 anos que não lêem nada (a não ser o exigido pela escola) mais do que dobrou entre 1984 e 2004. Este período de tempo, é claro, abarca o surgimento dos computadores pessoais, a navegação na web e os jogos de vídeo.

Será que isso importa? Tecnófilos ridicularizam as lamúrias sobre o fim da cultura escrita como a auto-absorção de (quem mais?) os elitistas. No seu livro Everything Bad is Good For You: How Today's Popular Culture Is Actually Making Us Smarter (Tudo que é Ruim é Bom para Você: Como a Cultura Popular de Hoje Está, na Verdade, nos Tornando mais Inteligentes), o escritor científico Steven Johnson nos assegura que não temos nada com o que nos preocupar.

Certo, os pais podem ver seus "filhos vibrantes e ativos olhando, silenciosamente e boquiabertos, para uma tela". Mas estas características de zumbi "não são sinais de atrofia mental. São sinais de concentração". Tolice. A verdadeira questão é o que crianças pequenas estão deixando de fazer e não no que estão se concentrando, enquanto estão hipnotizados por vídeos que já viram dezenas de vezes.

A diminuição do espaço da atenção pública fomentada pelo vídeo está intimamente ligada à segunda força antiintelectual mais importante na cultura americana - a erosão do conhecimento geral.

Segundo um levantamento de 2006 da National Geographic-Roper, quase metade dos americanos com idade entre 18 e 24 anos não acha necessário saber a localização de outros países nos quais importantes acontecimentos estão sendo objeto de notícia. Mais de um terço da população acha que "não tem nenhuma importância" saber uma língua estrangeira, e somente 14% consideram importante o conhecimento de línguas estrangeiras.

Isso nos conduz ao terceiro e último fator que está por trás do emburrecimento americano: o problema não é a falta de conhecimento em si, mas a arrogância em relação a essa falta de conhecimento. A questão não é apenas as coisas que não sabemos (considere o fato de que um em cada cinco americanos adultos pensa que o Sol gira em torno da Terra, segundo a National Science Foundation) - mas o alarmante número de americanos que, presunçosamente, concluem que não precisam saber tais coisas em primeiro lugar.

Chame isso de antirracionalismo, uma síndrome particularmente perigosa para nossas instituições e intercâmbio de idéias. Não saber uma língua estrangeira nem a localização de um país importante é uma manifestação de ignorância; negar que tal conhecimento importa é puro antirracionalismo.

Não existe uma cura rápida para esta epidemia de antirracionalismo e antiintelectualismo arrogantes. Esforços repetidos para elevar as notas dos testes padronizados abarrotando os alunos com respostas específicas para perguntas específicas em testes específicos não adiantarão. Além disso, as pessoas que são exemplos do problema geralmente não o percebem. ("Pouquíssima gente acredita ser contra o pensamento e a cultura", observou Hofstadter.) Já está mais do que na hora de uma discussão nacional séria sobre se nós, como uma nação, valorizamos verdadeiramente o intelecto e a racionalidade.

* A premiada escritora americana Susan Jacoby é autora, entre outros, de The Age of American Unreason. É colaboradora dos principais jornais americanos e ingleses.