Aquele momento em que você precisa arejar um pouco...

sábado, 21 de março de 2009

REVELAÇÃO: O QUE VOCÊ "REALMENTE" PRECISA PARA CONSEGUIR AQUELE SONHADO EMPREGO


Eu já escrevi o que penso sobre o jogo de perguntas e respostas em uma entrevista de seleção, mas não falei nada sobre o candidato procurado pelas empresas.

Não é de hoje que muitos escrevem sobre algumas atrocidades cometidas pelas empresas na hora da contratação de um novo colaborador, fruto de uma das mais antigas e ferrenhas leis de mercado: a demanda maior, muito maior que a oferta de vagas. Exigem Inglês fluente quase que até para faxineiros...

Isso todo mundo sabe. Mas mesmo aquelas exigências que parecem “normais”, quando combinadas, somadas, sugerem que a empresa está em busca de alguém sobreumano (ou é sobrehumano, ou sobre-humano com a nova regra?...).

As características pessoais mais procuradas pelos entrevistadores, segundo especialista, são: objetivos profissionais e de vida definidos; automotivação; iniciativa; responsabilidade; dedicação; ambição; capacidade de aprender; capacidade de trabalho em equipe; ser voltado para resultados; ter atitude positiva; ser otimista, colaborativo, sociável e participante.

O tal precisa também ter imagem exemplar: os ombros alinhados, as costas eretas, o olhar brilhante, o andar correto, a voz pausada e agradável, a postura polida e ao mesmo tempo firme. Irradiar entusiasmo. Vestir roupas clássicas e discretas, sóbrias e de cores neutras.

Numa ginástica cerebral digna de triatleta, o candidato precisa acelerar todos os neurônios à velocidade máxima, sem suar a testa, para expor possíveis pontos negativos de forma positiva e dar respostas articuladas, não apenas “sim” e “não”.

Precisa comentar sobre suas realizações e os miraculosos resultados positivos alcançados na empresa que trabalhou anteriormente, não falar mal de seu ex-chefe (essa é difícil, hein?!), dizer que está em busca de novos desafios e crescimento (e não, honestamente, de salário melhor – já escrevi sobre isso também).

Preocupando-se com que tudo isso pareça sincero ao entrevistador, o candidato deve demonstrar confiança, falar com clareza, naturalidade e espontaneidade.

E, sorrindo, manter-se o mais tranqüilo possível...

Fala sério: esse cara existe? Aqui na Terra? Na Via Láctea? Em Asgard*? Na quinta-dimensão?
A única e honesta resposta é não. Nem Deus conseguiu produzir tão exemplar criatura.

Você, que está trabalhando e passou por processo seletivo, é assim? Quantas pessoas assim você conhece na empresa em que trabalha? Nenhuma? Claro que não. Elas “eram” assim na entrevista, mas depois de contratadas voltaram a ser elas mesmas, humanos normais.

Concluo então que o fator decisivo num processo seletivo é sua capacidade artística: se você for um bom ator e conseguir fingir tudo isso de modo que o entrevistador engula, a vaga é sua!

Nada de MBAs, cursos de línguas estrangeiras, especializações, vivências no exterior... Procure no Google a escola de teatro mais próxima e mãos à obra que a crise ainda tá brava.

*Pra quem nunca leu gibi do Thor, Asgard é o reino dos deuses nórdicos.

segunda-feira, 16 de março de 2009

PERGUNTINHAS

- não fosse a tremenda MÁ repercussão, apoiada pela Santa Mídia, teria a Igreja Católica colocado em campo seu exército de Rolando Leros para acalmar a opinião pública sobre o que disse o tal Arcebispo de Recife e Olinda?;

- o que motivou o tal arcebispo declarar publicamente algo que importa somente aos católicos? Sim, talvez eles ainda sejam maioria nesse país, mas parece que nenhum fiel católico pensa como o arcebispo, muito menos os evangélicos, os budistas, os umbandistas, espíritas, agnósticos, humanistas seculares, ateus...;

- por que tanta importância à excomunhão? Por que não um simples E DAÍ?! SO WHAT?!?

sexta-feira, 13 de março de 2009

O MARTELO QUE QUERIA SER MARTELO


Eu conheci o Martelo.

Não, você não leu errado nem eu digitei errado. Martelo mesmo, com “t”.

O conheci ainda pequeno. Seu grande ídolo era Mjolnir, o martelo mágico de Thor, deus do trovão. Invencível, indestrutível, quantas batalhas, quantas aventuras Mjolnir vivia nos gibis que Martelo devorava nas tardes de outono.

Quando não imitávamos as aventuras do martelo mágico brincávamos quase sempre de oficina. Esse era o seu sonho, um tanto quanto mais pé no chão.

Ao final de sua adolescência tornara-se um autêntico martelo unha 30 onças, com cabeça de aço e cabo de Madeira de Lei envernizada. Ele tinha um quase indisfarçável orgulho disso.

Era então hora de deixar os gibis de lado e ganhar dinheiro, procurar um emprego de... Martelo, oras! O que mais?!

Fez uma lista de marcenarias e oficinas, lustrou-se todo e foi à luta.

Não havia vaga na primeira marcenaria. Na segunda ficaram com seu currículo e disseram que entrariam em contato caso surgisse uma posição. Nas oficinas que visitou até conseguiu ser entrevistado numa e noutra, mas nada de emprego.

Isso se repetiu várias vezes. Muitas vezes.

Começou a ficar desanimado e assustado pois precisava, como todo mundo, ganhar seu próprio sustento. Sem falar na delicada situação de estar sem trabalho, principalmente em reuniões sociais quando lhe perguntavam “o que anda fazendo?”, “onde está trabalhando?”.

Apelou para carpintarias, mas também não teve sucesso.


Estava cansado da rotina de ler os classificados nos jornais, de mandar currículos pelo correio, por e-mail e de se cadastrar em todos os sites de empregos quando surgiu uma oportunidade e o chamaram. Era uma vaga de chave de fenda. Espantado e assustado com o convite, foi aconselhar-se com amigos e parentes.

Concordaram que não era o ideal, mas ele não podia perseguir um ideal para sempre, tinha de se ajustar. Não precisa ser fatalista, falavam. Só por que nascera martelo não significava que não poderia aprender outras atividades. Na pior das hipóteses, ao invés de especialista seria um generalista com experiências variadas, tão procurados à época.

Ponderou. Não queria mais aquela rotina de desempregado e aceitou.

No início seus companheiros de marcenaria davam-lhe um desconto por seus trabalhos meio mal feitos. Afinal, era seu primeiro emprego. Mas depois de um tempo foi ficando claro que aquele serviço não era para ele. Seus colegas lançavam olhares estranhos e não demorou muito a ouvir conversas de corredor sobre como era incompetente. Pediu demissão e voltou à luta por seu lugar no mundo das marcenarias.


Mas os tempos, como sempre aliás, eram difíceis. Havia a concorrência com os martelos chineses, sempre trabalhando por salários irrisórios, e novas tecnologias que substituíam parte dos trabalhos nas oficinas.

Ele tentou, tentou, tentou até que apareceu uma vaga de serrote.
Caracas! Nem eu acreditaria se não tivesse acompanhado sua estória de perto.

Disseram-lhe que com o tempo ele se adaptaria, não precisava fazer um trabalho “fino”. Bastava separar os pedaços de madeira na marretada mesmo. Como da vez anterior, aceitou para sair da bacia das almas.

A novela se repetiu. Tudo bem no início, os amigos eram complacentes, mas logo, como era um trabalho em cadeia, seu desempenho muito aquém do necessário atrapalhava o resultado final. Voltou a se sentir incompetente, opinião da qual seus colegas, agora ex, partilhavam. Isolou-se no canto da marcenaria fazendo seu trabalho quase que se desculpando. O chefe já não lhe passava muito trabalho. Foi, como dizem, posto na geladeira.

O estigma de incompetente instalou-se em sua alma. Já acreditava, e a realidade parecia lhe mostrar isso, que não servia para nada em lugar nenhum. Ficou estressado e o resultado de seu trabalho, que não era bom, ficou pior.
Não tinha mais condições de continuar. Pediu demissão.

Sem emprego novamente e acreditando que não tinha utilidade nesse mundo, caiu em depressão. Acho que já estava deprimido desde lá de trás, mas agora havia caído a última gota no copo d’água, havia sido dado o último sopro na bexiga, havia...

Chega de metáforas. O fato é que, depois de tanto tempo e já com bem mais idade de que quando saiu à procura de emprego pela primeira vez, percebeu que estava meio velho para o mercado de trabalho e não tinha experiência na profissão para a qual nascera.

Teria tudo isso sido uma pegadinha do destino? E agora? Esforçava-se para não adotar o papel de vítima, precisava assumir suas
escolhas erradas, mas escolher o quê quando parecia não haver opções?

Como acaba essa estória? Ainda não acabou. Ele está por aí, não o vejo há algum tempo. Soube por acaso que voltara a estudar martelaria, talvez para se atualizar e engordar o currículo. Orgulhoso que era, deve ter vergonha de sua situação.

Uma pena. Ele podia ter sido um bom martelo.




quinta-feira, 12 de março de 2009

ADORA CÃES? ENTÃO NÃO COMPRE!


A revista Superinteressante em banca traz excelente matéria sobre nossos velhos melhores amigos e como somos culpados por seus problemas de saúde que não tinham antes da manipulação genética que é criar cães de raça.

Eu não sabia disso nove anos atrás, quando comprei a Mila, minha schnauzer, mas aprendi e percebi o quanto é necessária a divulgação dessas informações.

Se você realmente adora, ama cães, então faça um favor a todos eles: NÃO COMPRE. ADOTE!

Assim você estará colaborando, entre outras coisas para o fim do uso indiscriminado de cadelas como "matrizes", que são descartadas depois que não servem mais para procriação e geração de lucros para seus exploradores. Ajudará a tirar das ruas, dos abrigos, lares transitórios e CCZs aqueles que com olhares apavorados clamam para que alguém os leve para casa.

E, de quebra, automaticamente se tornará uma pessoa melhor. Ao menos aos olhos dos cachorreiros da cidade.



domingo, 8 de março de 2009

ENQUANTO ISSO, NOS PORTÕES DO PARAÍSO...


...Deus e São Pedro conversam:

D – E aí, Pedrão, como vão as coisas?
SP – Meio monótonas... Pouca gente tem subido pra cá.


D – Sei...
SP – Senhor, dia desses estava aqui, meio sem ter o que fazer, e vi lá na Terra um adesivo que dizia que o Senhor deu a vida para cada um cuidar da sua. É isso mesmo?

D – Não me comprometa! Foi alguma criatura estúpida lá de baixo que inventou isso.
SP – Sim, sim, claro, imaginei...

D – Pedrão, cê que tá aí meio que sem fazer nada, viu que estória maluca essa de excomungarem umas pessoas que salvaram uma menina?...
SP – Vi, Senhor, e só acreditei porque vi.

D – E ainda por cima Me culpam dizendo que essa é a Minha lei!! Justo Eu que nunca escrevi coisa alguma! Eu só criei tudo em 6 dias, descansei no sétimo e estou de férias desde então..

SP – Pois é... Eles inventam o que querem, sabe lá Deus porquê... Ops, perdão.

D – Não foi nada.

SP - ...E põem a culpa no Senhor.

D – Sabe, Pedro, aquela criatura não é tão estúpida assim. O tal padreco deveria receber um adesivo como aquele que você viu...