Aquele momento em que você precisa arejar um pouco...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

VALE MENTIR PARA MOTIVAR?

Motivação é mais uma daquelas palavras/expressões que, de tempos em tempos, entram no vocabulário do mundo corporativo e grudam como chiclete.
Apesar de alguns autores já começarem a rever alguns conceitos sobre a motivação dizendo que isso é algo interior e pessoal de cada um e não assimilado do exterior, a necessidade de obter vantagem competitiva sustentável frente à concorrência fez com que a antiga área de RH se transformasse na Gestão Estratégica de Pessoas (UAU!).


Este tipo de gestão, como uma fonte de vantagem competitiva, faz com que os clientes sintam-se satisfeitos com o serviço, o capital humano desenvolva-se profissionalmente e a imagem da empresa seja altamente favorável ao mercado, no sentido de prestar um serviço de qualidade aos seus consumidores.
Bonito, mas nem todos chegaram ainda nesse nível. Muitas empresas ainda contratam palestrantes que, entre outras pérolas motivacionais, apresentam a já velha estória (pra boi dormir) da "Renovação da Águia".


Quando, há vários anos (e põe vários nisso), li pela primeira vez essa estória, era apenas um texto que circulava pelos e-mails internet afora. Logo descobri tratar-se de puro invencionismo e, a contragosto de muitos de meus colegas, escancarei a farsa.


Meus esforços em prol da honestidade têm sido em vão. O que era apenas texto virou apresentação de Powerpoint. Mais um tempo, tornou-se vídeo...


Meu problema com essa estorieta não tem nada a ver com o seu teor motivacional nem com a mensagem que tenta passar. O vídeo que assisti há pouco até que é emocionante, com um locutor que parece o Cid Moreira recitando o Pai Nosso, mas para obter adesão* do funcionário ao programa motivacional da empresa é preciso que ele acredite, que não se sinta passado pra trás nem enganado, sob pena de jamais obter a confiança desse profissional após ele descobrir que lhe contaram uma mentira.


Seus divulgadores, que deveriam apresentá-la como fábula, como metáfora, o fazem como "um exemplo tirado da natureza", até com um tom científico, como num documentário da National Geographic.
Mentem.


Essa coisa de águia arrancar unhas e bico aos quarenta anos, de uma vez por todas, NÃO EXISTE!!!


*em breve farei um texto sobre a expressão "adesão" (o programa não teve boa adesão; a Gerência não aderiu à proposta...), outra mania se espalhando pelo "vocaburrário" corporativo.

Vai encarar?

2 comentários:

Anônimo disse...

Por incrível que pareça, não conheço a estória da águia... Não seria bom colocar aí no blog?

Luís Henrique disse...

Sorry!...

Coloquei um link para a estória em "A Renovação da Águia".

Leia!